Publicado em: 2 de outubro de 2026
O Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), que costuma fechar às terças para manutenção, abre no próximo dia 6 de outubro, das 9h às 16h, sem cobrança de ingresso. A exceção marca os 160 anos do museu, o instituto científico mais antigo da Amazônia e o segundo museu de história natural mais longevo do Brasil. A manhã reúne trilhas guiadas, mediações nas exposições e contato direto com peças do acervo.
As três trilhas partem em frente ao Pavilhão Domingos Soares Ferreira Penna, a Rocinha, com a equipe do Serviço de Educação (Seedu). A Histórica sai às 9h, a Visitão às 9h30 e a das Árvores Centenárias às 10h. Cada uma recebe até 30 participantes, e a das Árvores Centenárias funciona por ordem de chegada.
Às 9h, no Hall do Centro de Exposições Eduardo Galvão, visitantes podem olhar, tocar e interagir com itens da Coleção Didática Emília Snethlage, que tem mais de 4 mil peças das grandes áreas de pesquisa do museu, como zoologia, botânica, geociências e ciências humanas. A atividade tem mediação e limite de 30 pessoas, por ordem de chegada.
Das 9h às 12h, mediadoras ligadas às pesquisas do museu apresentam as exposições. Na “Diversidades Amazônicas”, o roteiro passa por geociências, zoologia, entomologia, arqueologia e tecnologias sociais. Na “Katxar Kum Neero”, o tema são os saberes do povo Katxuyana e as línguas Karib. No Aquário Jacques Huber, a conversa é sobre ictiologia e herpetologia, áreas que estudam peixes, répteis e anfíbios.
No dia 15, o Theatro da Paz, em Belém, recebe um concerto comemorativo com a Amazônia Jazz Band. A apresentação tem parceria com a Embaixada Suíça no Brasil, que mantém projetos em colaboração com o Museu Goeldi.
Como conta o pesquisador Nelson Sanjad, o museu foi fundado em 1866 pelo naturalista e secretário de governo da Província do Pará, Domingos Soares Ferreira Penna. O então Museu Paraense só se consolidou em 1894, quando o zoólogo suíço Emílio Goeldi assumiu a direção e reformou a instituição, que deixou de ser um “gabinete de curiosidades” para virar um centro de pesquisa sobre a história natural e a etnografia da Amazônia, com reconhecimento internacional.
No século 19, o conhecimento sobre a região vinha em boa parte de expedições estrangeiras, e itens e observações seguiam para museus da Europa e dos Estados Unidos. A gestão de Goeldi, de 1894 a 1907, estruturou uma base científica na própria Amazônia, com coleções organizadas e pesquisa feita no território. Ele criou o “Boletim do Museu Paraense”, um dos primeiros periódicos do país, e contratou um corpo técnico e científico para as pesquisas e para as coleções. O botânico Jacques Huber, o zoólogo Adolf Ducke e a ornitóloga Emília Snethlage estão entre as que ampliaram o acervo.
Em 1895, ainda na gestão de Goeldi, nasceu o Parque Zoobotânico, que juntou no mesmo espaço o lazer da população parauara e a divulgação científica. Passados 131 anos, é um dos pontos mais frequentados da cidade por moradoras e turistas.
O diretor do MPEG, Nilson Gabas Júnior, lembra que os nomes fundadores são só uma parte dessa história. “Ferreira Penna, Goeldi, Huber e Snethlage representam alguns dos nomes fundadores de uma história muito maior. Ao longo desses 160 anos, inúmeros pesquisadores, técnicos, servidores, colaboradores e parceiros dedicaram suas trajetórias ao Museu, produziram conhecimento, formaram novas gerações e ampliaram seus acervos. É esse esforço coletivo e continuado que permitiu ao Museu Goeldi atravessar mais de um século e meio, mantendo sua relevância como instituto de pesquisa pioneiro na Amazônia e como museu de história natural comprometido com a salvaguarda e a compreensão da sociobiodiversidade amazônica”, afirma.
A expansão para o Campus de Pesquisa, no bairro da Terra Firme, veio em 1979. Em 1993, foi criada a Estação Científica Ferreira Penna, na Floresta Nacional de Caxiuanã. As duas bases deram ao museu estrutura para o monitoramento socioambiental de longo prazo. Os dados produzidos pelas equipes alimentam políticas públicas como o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), o planejamento de unidades de conservação, os diagnósticos de impacto ambiental e a lista de espécies ameaçadas.
Ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) desde 1985, o MPEG tem como missão pesquisar, promover inovação, formar recursos humanos, conservar acervos e comunicar conhecimento sobre a Amazônia. O acervo soma 4,5 milhões de registros em 19 coleções científicas.
Na última avaliação de desempenho, referente a 2025, o museu registrou 224 artigos científicos, livros e capítulos de livros publicados, 7,9 mil itens incorporados às coleções e 53 novas espécies descobertas e incluídas nos acervos biológicos. O resultado veio apesar de problemas orçamentários e da redução no número de servidoras e servidores.
O Museu Goeldi qualifica pesquisadoras desde a federalização, em 1950. Mantém pós-graduações em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e a Embrapa Amazônia Oriental. Desde 2015, tem de forma autônoma o Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Evolução (PPGBE) e, mais recentemente, o de Diversidade Sociocultural (PPGDS).
A formação alcança também crianças e adolescentes, pelo Clube do Pesquisador Mirim. Os programas de estágio, de bolsas de iniciação científica e de capacitação institucional respondem hoje por boa parte da produção científica do museu. As pesquisadoras ainda integram redes e programas científicos nacionais e internacionais, em aliança com outras instituições públicas de pesquisa.
Nas ciências humanas, estudos feitos com povos indígenas ampliaram o conhecimento em etnografia, linguística e arqueologia e atenderam a demandas que partiram dos próprios povos. A parceria com povos e comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas na pesquisa é uma das marcas da atuação recente da instituição.
“Aos 160 anos, nosso compromisso não é apenas celebrar o caminho percorrido. É reconhecer aqueles que o construíram e assegurar que esse patrimônio científico e cultural continue produzindo conhecimento, formando pessoas e contribuindo para a compreensão, o futuro e o desenvolvimento da Amazônia”, completa Gabas Júnior.
Serviço:
Aniversário de 160 anos do Museu Goeldi, programação no Parque Zoobotânico
Data: 6 de outubro de 2026 (terça-feira)
Horário: 9h às 16h
Entrada gratuita
Ponto de encontro das trilhas: em frente à Rocinha, grupos de até 30 participantes
Programação:
9h, Trilha Histórica
9h30, Trilha Visitão
10h, Trilha Árvores Centenárias
9h, Coleção Didática Emília Snethlage, no Hall do Centro de Exposições Eduardo Galvão, até 30 pessoas por ordem de chegada
9h às 12h, mediações na exposição “Diversidades Amazônicas”
9h às 12h, mediações na exposição “Katxar Kum Neero”
9h às 12h, mediações no Aquário Jacques Huber, com ictiologia e herpetologia
15 de outubro, concerto comemorativo com a Amazônia Jazz Band no Theatro da Paz
Com informações da Agência Museu Goeldi
Fotomontagem: Woltaire Masaki e Marcos Andrade / MPEG










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