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A história das mulheres na disputa pelo Senado no Pará, desde a redemocratização do País que começou com a Constituição de 1988, será o objeto deste artigo. E para iniciarmos o tema cabe dizer que 51% dos nossos 6.265.355 paraenses aptos a votar nas eleições 2026 são mulheres, ou seja, a maioria dos que comparecerão as urnas em 4 de outubro.


Nos anos 90 não tivemos candidatas ao Senado Federal nas eleições de1990 e 94, já em 1998 o PT veio com Ana Júlia Carepa para a disputa. Com militância forjada no movimento sindical, foi a primeira mulher a disputar o cargo e ficou em segundo lugar, em certame pra lá de acirrado. Novamente em 2002 concorreu e ganhou a eleição, tornando-se a primeira senadora da República de nosso Estado. Outra candidata que disputou o Senado na mesma eleição foi a hoje deputada federal Elcione Barbalho, que ficou na terceira colocação naquele pleito.


Em 2006, Neide Solimões foi candidata pelo PSol, Júlia Braun pelo PDT e Simone Contente pelo PSTU. Como candidata a 1ª suplente tivemos Socorro Gomes pelo PC do B.


Nas eleições de 2010, Marinor Brito concorreu ao Senado pelo PSol e ficou em segundo lugar, mas apesar de não ter vencido o pleito assumiu o mandato por um ano, em razão de a lei da Ficha Limpa ter sido aplicada ao vencedor da disputa Jader Barbalho, e somente em 2012 o STF deferiu o seu registro. A outra mulher a disputar o Senado foi Bia Cardoso pelo PPS, 2ª Suplente de sua chapa.


Em 2014 o Solidariedade foi de chapa só de mulheres com Enfermeira Marcela Tolentino,1ª suplente Conceição Araújo e 2ª suplente Sueli Aguiar. Atitude e posicionamento que merece elogios. Na mesma eleição Gisele Maria de Lima foi candidata à 2ª suplência pelo PSol.


Nas eleições de 2018 tivemos duas mulheres encabeçando chapas ao Senado: o PSol foi com Ursula Vidal, sendo 1ª suplente Araceli Lemos e 2ª suplente Rosa de Oliveira. Só elogios. Outra candidata foi Benedita do Amaral pelo PSTU. Nesta eleição, outras cinco mulheres concorreram como suplentes: Maria Irene pelo PC do B, Catarina Katia PC do B, Leny Campelo PPL e Lúcia Machado pelo PT, e Nega Lucimar pelo Solidariedade.


Já em 2022 tivemos uma candidatura ao Senado, Renata Fonseca pelo PRTB, e cinco candidatas a suplentes: Leny Campelo pelo PC do B, Fabrícia Barrudada pelo PL, Tetê Santos pelo PSDB e Zélia Pamplona pelo PMB, e Sílvia Abreu pelo PP.


Este ano a UP-Unidade Popular vai de chapa cem por cento feminina: Fernanda Lopes, 1ª suplente Socorro Bayma e 2ª suplente Lucilene de Oliveira. Só elogios. O PSol tem Gizelle Freitas e 1ª suplente Naide Pacheco como candidatas ao Senado. Já na outra chapa ao Senado o PSol tem como 1ª suplente Maria Luiza Farias. Edlaine Rodrigues é a candidata do Democrata, e Lívia Noronha, do Solidariedade. Alessandra Sá, a 2ª suplente pelo PL.


Os dados nos indicam de forma clara um aumento na participação de mulheres no universo da política paraense. Aliás, gênero não se limita apenas a feminino e masculino, mas sim a uma percepção histórica e cultural, e não determinados apenas biologicamente. Você é aquilo que sente e percebe de si mesmo! Dito isto, nas urnas a sociedade tem que estar representada.


Para finalizar, uma reflexão: se o eleitorado paraense é composto por 51% de mulheres, por que a representação feminina nos cargos dispostos em eleições não é proporcional?


Bem, a resposta será o tema de um outro artigo.

Robério Abdon d’ Oliveira
Robério Abdon d’ Oliveira é advogado, milita na área do Direito Público há 34 anos e preside o Instituto de Desenvolvimento da Amazônia-IDEA. @roberioabdondoliveira

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