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Para iniciarmos o tema, irei fazer um passeio pela recente história da política paraense, desde a redemocratização do País que iniciou com a Constituição de 1988, para acompanharmos a trajetória das mulheres em campanhas eleitorais, com foco na disputa ao Governo do Estado do Pará.


Nas primeiras duas eleições gerais dos anos 90 não tivemos a participação feminina no processo eleitoral majoritário, mas em 1998 a história começou a mudar com Cacilda Maria Saraiva, do PSTU, que disputou o mais alto cargo do executivo estadual e ficou em quarto lugar, dos cinco que concorreram naquele pleito.


Já nas eleições de 2002, Maria do Carmo, então deputada estadual com base política em Santarém, concorreu ao Governo do Estado pelo PT e por pouco não ganhou de Simão Jatene, do PSDB, então todo-poderoso dos governos tucanos de Almir Gabriel, em uma das disputas mais acirradas da história eleitoral de nosso estado. Na mesma eleição tivemos Valéria Pires Franco candidata pelo PFL na chapa encabeçada por Jatene, sagrando-se a primeira mulher a exercer o cargo de vice-governadora no Pará.


Nas eleições 2006, Ana Júlia, com origem na militância no Sindicato dos Bancários, eleita senadora em 2002, foi a terceira mulher a concorrer ao governo do Pará, tendo vencido, e assim tornou-se a primeira a governar os paraenses. Também nesta eleição concorreu ao cargo de vice-governadora Valéria Pires Franco, pelo PSDB. Em 2010 Ana Júlia concorreu à reeleição, sem êxito. Nas eleições de 2014 tivemos apenas uma mulher candidata a vice-governadora, que foi Benedita do Amaral pelo PSTU.


Em 2018 havia duas mulheres candidatas a vice-governadora: Tati Picanço pelo PSL e Sandra Batista pelo PC do B. Em 2022, Sofia Couto era candidata ao Governo do Estado pelo Partido da Mulher Brasileira-PMB, e quatro candidatas a vice-governadora: Vera Rodrigues pelo PSL, Benedita do Amaral pelo PSTU, Rosiane Eguchi pelo PSC e Hana Ghassan pelo MDB, que veio a se eleger, tornando-se a segunda mulher a exercer o cargo no Pará.


Nas eleições de 2026 há um recorde de participação de mulheres na disputa pela chefia do Executivo e candidatas a vice. Para o governo temos três candidatas, sendo que duas chapas só de mulheres: Gal Leite e Karem Suellen pela UP-Unidade Popular, e o PSOL com Araceli Lemos e Fátima Santana, do mesmo partido, o que merece aplausos pela posição política e significado, em ambos os casos. Já o MDB tem como candidata a atual governadora Hana Ghassan, que assumiu o Governo do Estado em abril deste ano, com a renúncia do titular. O PL lançou a candidata a vice-governadora Ellayne d´Almeida.


Três mulheres concorrendo ao maior cargo executivo estadual e três competindo pela vice-governadoria é fato inédito e faz jus a festejo pelo que representa. Um registro que vale ser feito é que temos uma paraense, natural de Moju, disputando o cargo de vice-presidente da República: Raquel Brício, pela UP, que nas eleições de 2024 disputou a Prefeitura de Belém.


Os dados citados neste artigo indicam de forma clara um aumento na participação de mulheres no universo da política paraense, longe ainda do ideal, pois a ocupação de cargos públicos não é um privilégio masculino, mas sim da sociedade: mulheres e homens. Dito isto, ganhar ou perder é a regra do jogo político eleitoral!

Robério Abdon d’ Oliveira
Robério Abdon d’ Oliveira é advogado, milita na área do Direito Público há 34 anos e preside o Instituto de Desenvolvimento da Amazônia-IDEA. @roberioabdondoliveira

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