Publicado em: 25 de agosto de 2026
Há muito que a Ilha do Mosqueiro, distrito de Belém do Pará, deixou de ser a “bucólica”, sua tradicional denominação carinhosa. Trios elétricos, “paredões” e “carretinhas” de som, festas de aparelhagem e até caixas de som de uso particular, sem autorização do poder público, com volume acima do limite legal e em horário proibido pela legislação, afrontam moradores, visitantes e autoridades.
O juiz titular da Vara Cível e Criminal de Mosqueiro e do Fórum Distrital, Fábio Araújo Marçal, chegou a proibir a realização de eventos na orla da ilha de Mosqueiro depois do caos na virada deste ano, quando os órgãos de segurança pública enfrentaram dificuldades para coibir e monitorar a participação de adolescentes em aglomerações promovidas por carros de som automotivo, o que culminou, inclusive, em um homicídio envolvendo um dos participantes.
O magistrado justificou a decisão, também, pelo fato de que a exposição noturna e sem controle a festas de rua causa efeitos nocivos à formação das crianças, de acordo com o princípio da proteção integral previsto na Constituição Federal e a Lei nº 8.069/1990, que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A atuação do Comissariado da Infância e Juventude, dos Conselhos Tutelares, dos agentes de trânsito e demais órgãos de segurança pública tem se mostrado insuficiente para conter os abusos que põem em risco crianças e adolescentes e tiram o sossego geral durante toda a madrugada. Nas praias do Murubira, do Farol, do Chapéu Virado e na praça do Carananduba as carretinhas amanhecem com o som ligado, ninguém dorme. Um suplício para quem não tem o mesmo gosto musical.
Os moradores apelam para que as Polícias Civil e Militar reforcem a atuação, vez que o 190 não atende várias ocorrências durante a madrugada e a Delegacia de Meio Ambiente (Dema) idem.












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