0
 

A Praça Visconde do Rio Branco, tradicionalmente conhecida como Praça das Mercês, no bairro da Campina, em Belém do Pará, integra um conjunto arquitetônico dos mais expressivos do período colonial na Amazônia, palco de transformações políticas, singularidades e episódios históricos marcantes dos primeiros séculos de colonização e ocupação urbana da cidade. Foi cenário de sangrentos combates durante a Cabanagem. A proximidade do porto e a própria estrutura fortificada do antigo Convento dos Mercedários – edificação monumental concluída em 1763, que leva os traços do célebre arquiteto italiano Antônio José Landi, e que também funcionou como Trem de Guerra, Arsenal de Guerra, Batalhão de Caçadores e Recebedoria Provincial – faziam da área um ponto estratégico altamente disputado entre cabanos e forças legalistas. 

Ali, no antigo Largo das Mercês, ficava o Teatro Providência, principal espaço cultural de Belém até a inauguração do Theatro da Paz em 1878. 

No século XIX, a praça abrigava um dos chafarizes públicos que abasteciam a população de Belém com água potável. Era o ponto de encontro dos “carregadores de água” (em sua maioria escravizados e trabalhadores livres pobres), tornando o espaço um fervilhante centro de fofocas, notícias e sociabilidade cotidiana. 

O imaginário popular alimentou lendas de túneis subterrâneos que ligariam o convento a outras igrejas da cidade (como a Sé e Santo Alexandre). Embora historiadores apontem que eram, na verdade, galerias pluviais e sistemas de escoamento de esgoto da época, a narrativa de rotas de fuga secretas usadas pelos padres e combatentes cabanos ainda resiste. 

Pois esse lugar fascinante tem sido relegado, assim como todo o centro histórico de Belém, à própria sorte. Primeiro ficou ao léu há décadas pela ocupação desordenada e todo tipo de imundície; e agora parece se consolidar como estacionamento, a exemplo de outros. Esta é a situação atual da linda praça das Mercês, em fotos de Guy Veloso.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

Copa do Mundo 2026: Espanha vence França, está na final e toma o 14 de julho para si

Previous article

Messi, Kane, Álvarez ou Bellingham: quem decidirá Argentina x Inglaterra rumo à final da Copa?

Next article

You may also like

Comments