Publicado em: 4 de setembro de 2026
Nesta sexta-feira, 4, às 18h, o presidente da Academia Paraense de Letras, Ivanildo Alves, fará a palestra “Machado de Assis e Cândido Portinari: a relação entre a arte e a literatura”, no estande da APL na Feira do Livro.
Machado de Assis morreu em 1908, quando Cândido Portinari ainda era criança. Obviamente, os dois nunca se conheceram pessoalmente. O encontro entre eles ocorreu por meio da arte. Machado ocupa posição central na literatura brasileira. Sua produção é marcada pela profundidade psicológica dos personagens, ironia, humor refinado e crítica às estruturas sociais de seu tempo. Por sua vez, a obra de Portinari, um dos maiores artistas plásticos, é profundamente compromissada com a representação do homem brasileiro e de suas condições sociais, históricas e culturais.
O encontro entre ambos, ainda que em épocas diferentes, demonstra a possibilidade de diálogo entre diferentes linguagens artísticas. Ao produzir desenhos e ilustrações relacionados às obras machadianas, Portinari não se limitou a reproduzir visualmente as situações narradas pelo escritor. Suas imagens constituíram interpretações próprias do universo literário de Machado de Assis, observa Ivanildo Alves.
Para ilustrar Memórias Póstumas de Brás Cubas, Portinari utilizou, entre outras técnicas, nanquim e água-forte. Entre os desenhos e estudos relacionados à obra há representações de personagens e episódios como D. Eusébia; O pai de Brás Cubas; O primeiro beijo; Menino na garupa de um homem; Um Encontro; Na Plateia; O Bibliômano. O acervo do Projeto Portinari registra também um projeto de desenho para a capa de O Alienista, datado de 1944, executado em grafite.
Um estudo acadêmico da USP destaca justamente a profunda relação entre a leitura literária feita por Portinari e suas obras, identificando forte aproximação entre texto e imagem em suas ilustrações para Machado de Assis.
“A literatura e as artes visuais constituem importantes formas de expressão da experiência humana. Embora utilizem linguagens diferentes, ambas têm a capacidade de interpretar a realidade, representar sentimentos, revelar conflitos sociais e provocar reflexões sobre a condição humana”, comenta Ivanildo Alves.










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