Publicado em: 13 de setembro de 2026
Uma significativa parcela da indignação histórica contra Maquiavel não diz respeito a ele ter mentido, como bem nos lembra Bertrand Russell, mas por descortinar a verdade, de modo nu e cru; ou seja, mostrar a política como ela é de fato, e não como ela deveria ser, dimensão mais próxima da moral e do direito.
Mas, ao se debruçar sobre a gravíssima crise em que mergulhou a mais alta Corte judicial do Brasil, todas essas dimensões (política, moral e jurídica), parecem se misturar de maneira visceral, haja vista que sua missão precípua, a de guarda da Constituição, tem sido atropelada por negociatas, acordos espúrios e noitadas vorcarianas, de alguns dos seus ministros, que a violam frontamente na letra e na essência.
É como se tudo o que sempre foi criticado no Congresso Nacional ou no Executivo tivesse sido transferido “por osmose” para outro poder da República, o Supremo Tribunal Federal, que ao invés de “dizer o Direito” para preservar a Constituição e seus princípios e regras, passou a fazer a política partidária. E da forma mais perniciosa possível.
Esse fenômeno não pode ser atribuído totalmente à judicialização da política, como de praxe. Há também questões de ordem estritamente moral envolvidas. Nesse sentido, existem ministros que perderam na íntegra a diligência moral ou civilizacional para continuar a exercer a magistratura.
E quem se salva nesse mar tenebroso de corrupção e improbidades? O governo já desistiu de Dias Toffoli, por já ter afundado nessas águas revoltas. E agora, ao tentar agora salvar Moraes, percebe que pode morrer abraçado com ele.
Moraes, reconheça-se, teve importante papel após o 8 de Janeiro, e nos desdobramentos do Dia da Infâmia, mas sucumbiu às tentações e tentáculos da engenharia corruptiva de Vorcaro. E não tem mais como se manter ( moralmente) no Supremo.
É aconselhável, portanto, que o governo dele mantenha racional distância, pois diferentemente da celebrada música dos Paralamas de Sucesso, não há uma luz no túnel dos desesperados, nem “um cais de porto onde se possa chegar”.
E que Carmem Lúcia e Fachin, mantidos até aqui distantes dos encantos de sereia de Vorcaro e do “Careca” do INSS, até mesmo por suas reconhecidas condutas éticas na magistratura, também percebam que não há salvação para Alexandre Moraes, André Mendonça e Toffoli. A água chegou às narinas e já ameaça chegar aos pulmões…
Foto: ilustração elaborada com uso de IA










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