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Ictiofauna do Marajó ameaçada

As consequências da suspensão durante 120 dias do período do defeso para pesca em várias bacias hidrográficas do País -inclusive a do rio Amazonas -, podem ser funestas. Na prática, a portaria conjunta dos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Meio-Ambiente libera completamente a pesca de vários peixes e de ostras, mesmo que estejam em período reprodutivo, a piracema, quando os peixes sobem o rio para desovar. O deputado Carlos Bordalo(PT) se manifestou da tribuna da Alepa em protesto a essa decisão e o presidente da Casa, deputado Márcio Miranda(DEM), já marcou reunião-almoço após a sessão ordinária da próxima terça-feira, tendo como convidados o Ministério da Agricultura, Secretarias de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade e de Agricultura e Pesca, Ibama, MPF-PA, MPE-PA, UFPA, UFRA e UEPA.

No arquipélago do Marajó, por exemplo, a grande diversidade aquática está principalmente ligada a seu sistema de marés, que gera vários habitats. Sua ictiofauna é das mais ricas do mundo, com mais de 300 espécies diferentes e até agora só 254 catalogadas, de oito famílias diferentes. A reprodução dos peixes e o período de pesca são os mais afetados por isso. Na época de cheia a pesca fica mais difícil devido à dispersão dos peixes, enquanto que na época de seca a pesca é facilitada pela alta concentração de peixes para pouca água. A reprodução dos peixes não é na mesma época, devido ao grande número de espécies diferentes, varia de espécie para espécie. O poraquê, por exemplo, se reproduz no final da época da cheia, enquanto o cambotá se reproduz no começo da época da cheia. 

Incrível é que o arquipélago do Marajó é das regiões mais ameaçadas da Amazônia, em termos de sua ictiofauna, e é uma das menos protegidas. A maioria das suas atividades econômicas, por ser sem controle, é prejudicial. Em 1989 foi criada a Área de Preservação Ambiental (APA) do Marajó, mas esse modelo tem se revelado pouco prático em longo prazo. 

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