Publicado em: 12 de julho de 2026
A Inglaterra está novamente entre as quatro melhores seleções do mundo. Em uma partida dramática disputada no Hard Rock Stadium, em Miami, no sábado (11), os ingleses derrotaram a Noruega por 2 a 1, na prorrogação, e garantiram vaga nas semifinais da Copa do Mundo de 2026. O triunfo recoloca os Three Lions em um estágio que historicamente visitaram poucas vezes: esta é apenas a quarta semifinal inglesa em Mundiais, depois da campanha do título em 1966, em casa, e das edições de 1990 e 2018, quando terminaram na quarta colocação.
O jogo foi intenso desde os primeiros minutos e apresentou uma sequência de emoções que justificou o peso de uma quartas de final. A Noruega abriu o placar aos 36 minutos do primeiro tempo, quando Schjelderupaproveitou uma recuperação de bola sobre Harry Kane e acertou um belo chute cruzado, sem chances para Pickford. A resposta inglesa veio nos acréscimos da etapa inicial. Jude Bellingham apareceu com personalidade para empatar e impedir que a equipe fosse para o intervalo em desvantagem. Já aos três minutos da prorrogação, novamente Bellingham aproveitou o rebote concedido por Nyland após finalização de Morgan Rogers para marcar o gol da classificação.
A partida também ficará marcada pelas discussões em torno da arbitragem. A Noruega teve um segundo gol anulado após revisão do VAR, que identificou falta de Erling Haaland antes mesmo da cobrança de um escanteio, aplicando uma nova interpretação das regras da IFAB. Em outro momento, um pênalti inicialmente marcado para a Inglaterra foi corretamente revertido após revisão de vídeo. Ainda houve a controvérsia envolvendo o gol de empate inglês, quando jogadores noruegueses alegaram que a bola teria tocado o cabo da câmera aérea. A FIFA, contudo, informou que os dados do sensor da bola não apontaram qualquer contato, validando a jogada.
Embora Harry Kane tenha participado da construção do jogo e seguido como uma referência ofensiva, o grande protagonista foi Jude Bellingham. O camisa 10 assumiu o papel de líder técnico e emocional da equipe, dominando o meio-campo, aparecendo nos momentos decisivos e marcando os dois gols da classificação. Aos 23 anos, o meia confirma a condição de principal jogador desta geração inglesa e reforça sua candidatura ao protagonismo do futebol mundial. Se Kane simboliza a experiência, Bellingham representa o presente e o futuro de uma seleção que parece ter encontrado um novo condutor.
A eliminação, contudo, em nada diminui a campanha da Noruega. Liderada por Erling Haaland e Martin Ødegaard, a equipe escandinava apresentou um futebol competitivo, organizado e corajoso ao longo do torneio. Depois de eliminar o Brasil nas oitavas de final, os noruegueses venderam caro a derrota diante da Inglaterra, criaram oportunidades, pressionaram em vários momentos e deixaram a Copa com a sensação de que já pertencem ao grupo das seleções capazes de desafiar as maiores potências do futebol mundial.
Quando o apito final ecoou em Miami, o futebol deu lugar à emoção. Das arquibancadas desceu um coro de “Hey Jude”, transformando Bellingham no personagem da noite, antes que jogadores e torcedores se unissem em “Wonderwall”, do Oasis, em uma celebração que misturou identidade, memória e esperança. Talvez seja cedo para afirmar que a Inglaterra voltou a ser favorita ao título. Mas, quando uma equipe encontra um craque capaz de decidir jogos grandes e uma torcida que canta como se acreditasse novamente, o impossível deixa de parecer tão distante.
Imagem em destaque: caricatura gerada por IA de Jude Bellingham.
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista










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