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Nenhuma das 14 pessoas atingidas, em junho, por disparos dentro de casa na região metropolitana de Belém sobreviveu. É o maior número já registrado pelo Instituto Fogo Cruzado desde novembro de 2023, quando começou o monitoramento da violência armada na região, e representa alta de 367% sobre junho do ano passado, quando 3 pessoas foram baleadas nesses espaços.

Das 14 vítimas, 13 foram atingidas durante ações e operações policiais, o equivalente a 93%.

O peso dessas intervenções aparece também no balanço geral do mês. Dos 38 tiroteios mapeados na Grande Belém em junho, 19 ocorreram em meio a ações policiais, metade de todos os registros.

Para Eryck Batalha, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Pará, os dados obrigam a rever a forma como essas operações são conduzidas. “Quando a maioria das vítimas baleadas dentro de casa é atingida em ações policiais, o debate sobre os limites e protocolos dessas operações se torna inadiável”, afirma. Segundo ele, o avanço da violência armada nas residências expõe a ausência de governança em territórios onde o Estado chega apenas de forma reativa e armada. “Reconstruir a confiança nas instituições exige transparência, responsabilização e apoio às famílias afetadas.”

No total, 37 pessoas foram baleadas na região metropolitana ao longo do mês. Delas, 34 morreram e 3 ficaram feridas. A quantidade de tiroteios se manteve estável na comparação com junho de 2025, com 38 registros nos dois anos, mas o número de baleadas cresceu 9%. No ano passado, foram 34 pessoas atingidas no mesmo período, com 28 mortes e 6 pessoas feridas.

A capital parauara respondeu por 25 dos 38 registros de junho, com 22 pessoas mortas e 3 feridas. Ananindeua vem na sequência, com 5 tiroteios e 4 mortes. Barcarena e Marituba tiveram 2 tiroteios e 2 mortes cada, mesmo número de registros de Santa Izabel do Pará, onde uma pessoa morreu. Em Castanhal, um único tiroteio deixou 2 pessoas mortas. Benevides contabilizou um caso, com uma morte.

Entre os bairros, a Cabanagem, em Belém, lidera o levantamento, com 3 tiroteios e 3 pessoas mortas. Fátima registrou 2 casos que deixaram 3 mortas. Também com 2 tiroteios cada aparecem Campina de Icoaraci, onde uma pessoa morreu e 2 ficaram feridas, Curió-Utinga, com uma morte e uma ferida, e Guamá, Marco e Tapanã, com 2 mortes em cada um.

Os dados fazem parte do relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado, que verifica tiroteios em tempo real por meio de um aplicativo de celular nas regiões metropolitanas de Belém, do Recife, de Salvador e do Rio de Janeiro. As informações podem ser consultadas gratuitamente pela API do Instituto ou nos relatórios publicados todos os meses.

Imagem em destaque: Instituto Fogo Cruzado

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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