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Duas bactérias que ajudam a soja a crescer vão sair da Terra a bordo de um foguete brasileiro. As amostras fazem parte da Operação Potiguar 2, missão da Força Aérea Brasileira (FAB) que deve acontecer até 19 de setembro no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim (RN). O foguete VS-30 V16 vai carregar a Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R), e com ela o experimento da Rede Space Farming Brazil, grupo coordenado pela Embrapa com apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB).

A pergunta que as pesquisadoras querem responder é se esses microrganismos aguentam a viagem. Segundo Alessandra Fávero, coordenadora da rede, a ideia é medir como o lançamento, a microgravidade e a radiação ionizante de um voo suborbital afetam a sobrevivência das bactérias. Se elas resistirem, podem um dia ser usadas em missões no espaço profundo.

As escolhidas são velhas conhecidas do campo brasileiro. A Bradyrhizobium spp. faz a fixação biológica de nitrogênio na soja e entrega esse nutriente à planta. A Azospirillum brasilense estimula o crescimento das raízes, o que melhora a absorção de água e nutrientes e aumenta os nódulos onde a Bradyrhizobium se instala. Juntas, elas elevam a produtividade da lavoura e diminuem a necessidade de fertilizante químico, com menos custo para quem planta e menos impacto ambiental.

Antes de embarcar, as bactérias cedidas pela Embrapa foram liofilizadas, processo de desidratação que ajuda a conservá-las. Depois foram colocadas em tubos plásticos e guardadas em cubesats, pequenos cubos de alumínio desenvolvidos pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

Cada cubo leva mais do que as amostras. Há biossensores de grafeno criados na Universidade Federal do ABC (UFABC) e dosímetros feitos por pesquisadoras do Instituto de Estudos Avançados (IEAv/DCTA) para registrar a radiação durante o voo. O suporte que acomoda o material foi produzido em impressora 3D pela equipe do Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) também integra o grupo.

Quando o foguete voltar, as amostras passam por uma série de análises para mostrar o que aconteceu com os microrganismos em cada etapa, da subida à descida. Parte do material ficou em terra, como controle, para servir de comparação. Os dados devem abastecer novas pesquisas e tecnologias voltadas tanto ao espaço quanto à agricultura aqui embaixo.

Foto em destaque: Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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