Publicado em: 21 de agosto de 2026
Leandro Paredes só volta a vestir a camisa da seleção argentina depois de dez partidas de suspensão. A pena disciplinar anunciada nesta sexta-feira (21) pela Comissão Disciplinar da Fifa é a mais dura de um conjunto de punições que soma 21 jogos entre jogadores e comissão técnica da Argentina pela confusão que tomou o gramado do MetLife Stadium no fim da final da Copa do Mundo.
O meio-campista ainda terá de pagar US$ 90 mil. Nas imagens do tumulto, ele aparece segurando pelo pescoço o zagueiro espanhol Eric García e derrubando Gavi no chão.
Nahuel Molina levou sete jogos de suspensão e multa de mesmo valor. O lateral acertou um golpe no estômago de Rodri em meio à comemoração da Espanha.
Roberto Ayala, auxiliar técnico da seleção argentina, ficará de fora três partidas por uma imputação de agressão, em episódio que envolveu o meia Dani Olmo. Thiago Almada pegou um jogo de suspensão por conduta antidesportiva. Os dois foram multados em US$ 30 mil cada.
Gavi é o único nome do elenco de Luis de la Fuente na lista. O meia da Espanha recebeu um jogo de suspensão e US$ 30 mil de multa, também por conduta antidesportiva.
Nenhuma das punições atinge os clubes. Pelo artigo 69 do Código Disciplinar, as suspensões são transferidas para as próximas partidas das seleções envolvidas.
À Associação do Futebol Argentino (AFA) coube a conta mais alta. A entidade foi multada em US$ 321 mil e terá de mandar dois jogos em casa com fechamento parcial de 50% das arquibancadas, sendo que uma dessas partidas e US$ 100 mil da multa ficam suspensos por período probatório. Outros US$ 100 mil serão obrigatoriamente aplicados em um plano de combate à discriminação.
A Fifa admite que os assentos bloqueados sejam ocupados por grupos comunitários, desde que respeitadas condições antidiscriminação.
As imputações contra a AFA estão em quatro artigos do Código Disciplinar. O 13.2(c) trata do uso de evento esportivo para manifestações de natureza não desportiva. O 14.5 alcança a má conduta coletiva. O 15 se refere a discriminação e abuso racista, e o 17 cuida de ordem e segurança nas partidas. No comunicado que publicou horas depois, a própria AFA descreve parte das acusações como “cânticos e insultos racistas, homofóbicos e discriminadores” registrados em diferentes jogos.
O item das manifestações políticas das punições aconteceu durante a partida da semifinal. Em 15 de julho, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, jogadores argentinos exibiram no gramado uma bandeira com a frase “Las Malvinas son argentinas” logo depois da vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra. O pano havia aparecido antes na arquibancada.
A Espanha venceu por 1 a 0 no dia 19 de julho, em East Rutherford, Nova Jersey, com gol de Ferran Torres na prorrogação, e chegou ao segundo título mundial. A Argentina terminou a decisão com um jogador a menos, depois da expulsão de Enzo Fernández no segundo tempo.
O apito final abriu a briga. Paredes chegou a receber cartão vermelho já fora do tempo de jogo, mas a Fifa apagou a punição da súmula e informou que nenhuma medida disciplinar havia sido efetivamente aplicada ao meio-campista durante o confronto. O caso seguiu pela via administrativa, aberta pela entidade em julho, com notificação das partes e prazo para defesa.
As decisões, no entanto, ainda podem mudar. As partes notificadas têm dez dias para pedir a decisão fundamentada, conforme o artigo 61 do Código Disciplinar, e cabe recurso.
A AFA já sinalizou que vai brigar. “Em virtude das notificações recebidas, em defesa dos direitos da Associação e de seus futebolistas, a Gerência Jurídica da AFA, em tempo e forma, solicitará à Fifa os fundamentos das decisões que são revisáveis a fim de interpor os recursos perante o Comitê de Apelação da entidade que rege o futebol mundial, restando no futuro a possibilidade de recorrer ao TAS como última instância”, diz o comunicado, em tradução do espanhol, numa referência ao Tribunal Arbitral do Esporte.
Foto em destaque: Leandro Paredes (Bryan Berlin/WikiPortraits/Wikimedia Commons – CC BY-SA 4.0)










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