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Imagens dos quatro dias que reúnem cerca de 900 atletas de comunidades indígenas do Médio Xingu em Altamira (PA) em disputas esportivas tradicionais, estão em cartaz em Manaus desde terça-feira (4), no Centro Cultural dos Povos da Amazônia (CCPA), na exposição “Jogos Indígenas do Xingu – rituais pela vida ancestral”. A visitação segue até 4 de setembro.

As fotografias são de Alexandre Baena, parauara, que também assina a curadoria da mostra. Fotógrafo, cineasta e documentarista, ele registrou a competição realizada entre 17 e 20 de julho de 2025 na orla do cais de Altamira, às margens do Xingu.

A programação esportiva teve provas de arco e flecha, arremesso de lança, corrida de bastão, cabo de força, tiro ao alvo e corrida livre de 100 metros, nas categorias masculino e feminino, além de canoagem, futebol e natação.

Competiram representantes das etnias Arara, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Xikrin do Trincheira Bacajá, Kayapó do Kararaô, Parakanã, Araweté e Juruna. Como povos convidados estiveram os Gavião Kyikatejê, os Krimei Xikrin, do Rio Cateté, e os Kayapó Mebêngôkre, da Terra Indígena Kayapó. Ao lado das disputas, as delegações levaram apresentações culturais, música e rituais.

Boa parte das atividades aconteceu depois do anoitecer, o que definiu a técnica das imagens. “A maioria das atividades foram noturnas, e o trabalho técnico para realçar a luminosidade que destaca minhas telas, foi um desafio interessante, o contraste entre a baixa velocidade de captura da imagem e a energia que ditava uma dinâmica frenética na frente de minhas lentes, produzindo verdadeiras pinturas, que são documentos impressionantes do que foi vivido na arena montada em Altamira, às margens do Xingu, e que contou com a participação de mais de 900 atletas de 12 etnias”, conta Alexandre.

A mostra trabalha o registro dos jogos como documentação de tradição e como referência geográfica para o turismo na região. “Os jogos indígenas do Xingu são uma parte importante da cultura do Estado do Pará e são realizados durante festivais e celebrações tradicionais, promovendo a integração social, a cooperação e a competitividade saudável entre as comunidades indígenas, exercendo um papel fundamental para as crianças, jovens, adultos e idosos, independente do gênero”, afirma o artista.

Manaus é a quinta parada de um circuito nacional. A exposição começou em Curitiba, no Museu de Arte Indígena, passou por Brasília, no Senado Federal, por São Paulo, na Biblioteca Mário de Andrade, e por Pernambuco, no Centro Cultural Cais do Sertão. Depois do Amazonas, vai para Belém, na Galeria Fidanza do Museu de Arte Sacra, e termina em Altamira, onde as fotos foram feitas.

Os projetos de itinerância de Alexandre Baena chegam a 41 exposições pelo país em 2026. Antes dos jogos do Xingu, ele levou a Marujada de Bragança, o Festribal de Juruti, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré e o Sairé de Santarém para as cinco regiões brasileiras. A mostra “Juruti – Terra Munduruku e Muirapinima” foi apresentada na Green Zone durante a COP30, em Belém, entre 10 e 21 de novembro de 2025. “As pontes que criamos, os abraços que trocamos e a cultura que levamos na linha de frente de cada itinerância é o que mais abre portas para essa jornada incrível”, diz o fotógrafo.

O CCPA, que abriga a exposição, reúne acervo e programação sobre os nove países e territórios da Amazônia Continental, entre eles Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e a Guiana Francesa, com foco nas produções de comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas e caboclas.

A exposição tem patrocínio da Prefeitura de Altamira e do Governo do Estado do Pará, por meio do Banpará, da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e da Secretaria de Estado de Turismo (Setur). O apoio é da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa) e a realização, da MAB Comunicação.

Serviço:

Exposição “Jogos Indígenas do Xingu – rituais pela vida ancestral”

Artista e curador: Alexandre Baena

Abertura: 4 de agosto de 2026, às 18h

Visitação: até 4 de setembro de 2026

Local: Centro Cultural dos Povos da Amazônia (CCPA), Avenida Silves, 2.222, Distrito Industrial I, antiga Bola da Suframa, Manaus (AM)

Fotos: acervo de Alexandre Baena

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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