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As agremiações do Boto Tucuxi e do Boto Cor de Rosa se apresentam juntas em Belém pela primeira vez nesta sexta-feira (14), na abertura da exposição “Sairé – Celebração, louvor e disputa dos Botos”, no Parque da Cidade. A visitação à mostra fotográfica de Alexandre Baena começa às 18h e fica em cartaz até 14 de novembro.

Os dois grupos disputam anualmente o Sairé, em Alter do Chão, distrito de Santarém, no oeste do Pará. Para a estreia na capital parauara, levam enredos sobre a identidade da vila, com caboclas, rainhas, botos e pajé. A programação de abertura inclui ainda o rito religioso da festividade, conduzido por ribeirinhas, quilombolas e indígenas Borari, com rezas e cantos de louvor.

A festividade tem duas faces, e a exposição trabalha as duas. De um lado, o rito que louva o Divino Espírito Santo por meio de elementos da natureza, tradição de mais de 300 anos. De outro, o momento profano, que é a disputa entre as duas agremiações.

Ana Maria Pinho, que preside o Boto Tucuxi, trata a data como estreia oficial do grupo na cidade. “Vamos poder mostrar um pouco do que nós fazemos aqui no Sairé, em Alter do Chão, vamos mostrar aos belenenses o nosso acolhimento, a nossa alegria, a nossa cultura, nosso encantamento”, conta. Ela credita ao fotógrafo a circulação da festa fora do estado. “Nós somos uma festa, a mais antiga da Amazônia, e precisava ter esse reconhecimento.”

Do lado do Boto Cor de Rosa, Tiago Vasconcelos vê na temporada em Belém uma chance de mostrar o Sairé dentro do próprio Pará, depois de meses de itinerância pelo país. “Estar em Belém, levando um pouco da força, da história e da identidade do Sairé e do Boto Cor de Rosa, é uma oportunidade importante de aproximar diferentes públicos daquilo que construímos em Alter do Chão”, afirma o presidente da agremiação. Para ele, a mostra serve a um público que conhece a festa de longe. “É também um momento de troca, de encontro e de valorização da nossa cultura, mostrando que a Amazônia tem muitas histórias para contar e que elas precisam ser conhecidas a partir do olhar de quem vive nesse território, das pessoas que vivem, cuidam e constroem.”

Osmar Vieira comanda o rito religioso e descreve o Sairé como guardião da memória do povo Borari. “Nós vamos mostrar ao público não somente a história do Sairé, mas a história amazônica, a história do nosso povo, do povo borari, a história do povo do Pará”, diz. Ele fala em uma ancestralidade de mais de quinhentos anos, que reaparece nas fotografias em cartaz.

Alexandre Baena assina as imagens e a curadoria. Fotógrafo, cineasta e documentarista, ele resume o conjunto como registro de vivências. “Não são apenas fotografias, são vivências, são sentimentos, são pessoas, é a nossa história escrita em imagens para esta e as nossas futuras gerações, que possam aprender e resguardar sua história”, enfatiza. A presença das agremiações e do rito na abertura, avalia, transforma a visita em outra coisa, um diálogo com estudantes, turistas e profissionais de várias áreas.

O circuito da exposição começou em 2025, em Brasília, no espaço cultural Senador Ivandro Cunha Lima, no Senado Federal. Passou por Curitiba, na Universidade Federal do Paraná, por Belo Horizonte, na CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais, e por Salvador, no Museu Eugênio Teixeira Leal. Voltou à capital federal, no Museu Nacional da República, como parte do 4º Fórum Internacional sobre a Amazônia, da Universidade de Brasília. De lá seguiu para Manaus, no Centro Cultural Palácio da Justiça, para Belém, na Galeria Fidanza do Museu de Arte Sacra, e para Santarém, no Centro Cultural João Fona e na Casa Santarém, em Alter do Chão, durante o Sairé daquele ano.

Em 2026, a mostra tem ainda temporadas marcadas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Os projetos de itinerância do fotógrafo chegam a 41 exposições pelo Brasil neste ano. Antes do Sairé, ele levou às cinco regiões do país a Marujada de Bragança, o Festribal de Juruti e o Círio de Nossa Senhora de Nazaré. A exposição “Juruti – Terra Munduruku e Muirapinima” foi apresentada na Green Zone da COP30, entre 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém, com as agremiações Munduruku e Muirapinima. Em cartaz agora, além do Sairé, está “Jogos Indígenas do Xingu – rituais pela vida ancestral”.

O patrocínio é do Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult PA) e da Secretaria de Estado de Turismo (Setur PA). A realização é da MAB Comunicação.

Serviço:

Exposição “Sairé – Celebração, louvor e disputa dos Botos”

Artista e curador: Alexandre Baena

Técnica: fotografia

Abertura: 14 de agosto de 2026, às 18h, com apresentação das agremiações Boto Tucuxi e Boto Cor de Rosa e do rito religioso do Sairé

Visitação: até 14 de novembro de 2026

Local: Parque da Cidade, Rua Senador Lemos, bairro do Souza, Belém (PA)

Fotos: Alexandre Baena

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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