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Há pessoas acreditam que sentir dor é sempre um sinal de lesão ou apenas uma consequência inevitável da “idade chegando”, mas a realidade é mais complexa. Na verdade, a dor costuma ser o resultado de uma combinação de fatores, como alterações hormonais, estresse, noites mal dormidas e, principalmente, o sedentarismo e a perda de massa muscular, que deixam o corpo biologicamente mais sensível.

Para entender como vencer esse desconforto, precisamos olhar para os músculos de uma forma nova: eles não são apenas peças mecânicas, mas funcionam como um órgão endócrino, que produzsubstâncias benéficas ao nos exercitarmos.

No exercício fisico, o músculo libera substâncias chamadas miocinas, que participam da comunicação entre músculo, tecido adiposo, fígado, cérebro e sistema imune. Uma dessas substâncias, a interleucina-6, ajuda a liberar componentes anti-inflamatórios naturais que combatem a inflamação crônica no corpo todo. 

É importante desmistificar a ideia de que a inflamação é sempre ruim. A inflamação gerada pelo exercício é um estímulo positivo, controlado e passageiro, que obriga o corpo a se fortalecer. Por outro lado, a inatividade física não deixa o organismo em um estado “neutro”. Acontece que dessa forma o corpo se adapta ao desuso, o que leva à perda de força, piora da sensibilidade à insulina e cria um ambiente de inflamação persistente que torna o organismo mais vulneráveis à dor.

Frequentemente, ocorre um ciclo perigoso: a dor aparece, para-se de mexer por medo, o corpo se torna mais rígido e fraco, o que gera ainda mais dor e inflamação. No entanto, para quebrar esse ciclo não precisa forçar o corpo, nem o proteger como se fosse frágil demais, mas sim se colocar emexposição gradual ao movimento.

Na prática, uma combinação de exercícios de força, cardio, exercícios para o core (músculos centrais) e treinos de mobilidade para reduzir a rigidez costuma ser o melhor caminho. 

Então se pergunte: “qual tipo de movimento meu corpo tolera hoje sem piorar nas próximas 24 horas?” Uma dor leve e controlada durante o exercício pode ser aceitável, desde que não aumente progressivamente, não altere o padrão do movimento e não gere piora depois. Já dores agudas, dor com perda de força, formigamento oudor que piora rapidamente precisam de avaliação médica.

O exercício físico é muito mais do que queimar calorias. Cada contração muscular é uma mensagem de saúde enviada ao seu corpo. Embora o repouso pareça proteção, muitas vezes é o treinamento físico adequado e consistente que realmente nos liberta do ciclo da dor.

Brandt, Claus, and Bente K Pedersen. “The role of exercise-induced myokines in muscle homeostasis and the defense against chronic diseases.” Journal of biomedicine & biotechnology vol. 2010 (2010): 520258. doi:10.1155/2010/520258

Nijs, Jo et al. “Nociplastic pain and central sensitization in patients with chronic pain conditions: a terminology update for clinicians.” Brazilian journal of physical therapy vol. 27,3 (2023): 100518. doi:10.1016/j.bjpt.2023.100518



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Yumi Saito
Yumi Saito é professora de Educação Física, com 16 anos de experiência na área. Esposa e mãe, ela é apaixonada por exercício físico e acredita no poder do movimento para transformar vidas. Com um grande prazer em ensinar, busca inspirar outras mulheres a adotarem hábitos saudáveis de forma leve e prazerosa.

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