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O primeiro iPhone dobrável deve ser apresentado nesta quarta-feira, 9, às 14h de Brasília, no evento anual de lançamentos da Apple. A transmissão é gratuita, sem cadastro, e sai ao vivo no site da empresa, no aplicativo Apple TV e no canal da companhia no YouTube. A apresentação acontece no Steve Jobs Theater, no Apple Park, em Cupertino, na Califórnia, com o mote “Surprise and shine”.

A expectativa em torno do aparelho dobrável está em reportagem publicada nesta terça-feira, 8, pelo jornal estadunidense The New York Times. Assinado por Kalley Huang, de São Francisco, o texto afirma que a empresa vai mostrar a alteração mais profunda no desenho do iPhone desde a estreia do produto, em 2007, com uma tela flexível que abre e fecha como um livro. Três pessoas a par do trabalho confirmaram a informação ao jornal sob condição de anonimato. A Apple não comentou.

Desde o primeiro modelo, o iPhone emagreceu, arredondou as quinas e perdeu o botão de início. Continuou sendo um retângulo de vidro sobre uma traseira de vidro ou metal.

A versão de entrada do dobrável deve custar ao menos 2 mil dólares, segundo David Vogt, analista do banco de investimentos UBS, porque os componentes são mais complexos e mais caros. O valor equivale a quase o dobro do iPhone 17 Pro, o modelo mais caro da linha atual, que parte de 1.099 dólares.

Vogt lembra que o lançamento de um iPhone costuma arrastar outras vendas, quando a consumidora entra na loja atrás do telefone e sai com um AirPods ou um Apple Watch. Ele chama isso de “efeito halo” e duvida que se repita agora, diante de uma etiqueta que pode criar “uma questão de carteira”.

Telefones dobráveis chegaram ao mercado em 2018 e seguem ocupando uma fatia mínima do setor. No ano passado, as fabricantes de eletrônicos despacharam perto de 20 milhões de aparelhos do tipo, menos de 2% de todos os celulares embarcados, conforme a consultoria Counterpoint Research. Para o ano que vem, a mesma consultoria projeta que a Apple envie mais de 12 milhões de dobráveis, o correspondente a 5% de tudo o que a empresa despachar em iPhones.

A Samsung lançou o Galaxy Fold em 2019, que dobra na vertical como um livro. A Motorola trouxe o Razr em 2020, de dobra horizontal, no estilo de uma concha. O Google chegou ao segmento em 2023, com o Pixel Fold. Os primeiros modelos eram caros e enfrentaram problemas de software e de durabilidade.

No ano passado, cerca de dois terços das compradoras de iPhone disseram ter adquirido o aparelho porque o anterior parou de funcionar, quebrou, sumiu ou foi roubado, segundo levantamento da Consumer Intelligence Research Partners. Apenas 14% apontaram os recursos do produto como razão da compra.

“Os dobráveis não fizeram tanta diferença” para as outras empresas que fabricam esses aparelhos, avaliou Michael Levin, sócio da consultoria. Para ele, existe a possibilidade de que o público enxergue o dobrável da Apple como algo “de truque” ou “de nicho”. A dúvida que ele coloca é por que a capacidade de dobrar seria o recurso capaz de convencer alguém a trocar de telefone.

O evento também mede a mão de John Ternus, que assumiu o comando da Apple na semana passada. Ele herda uma empresa cobrada há anos por ter perdido o fôlego criativo e por vender produtos vistos como repetidos. Uma década atrás, o lançamento de um iPhone reunia plateia animada e atrações musicais. As apresentações de setembro viraram vitrines discretas, com boa parte das demonstrações gravadas em vídeo.

“A empresa se saiu incrivelmente bem, mas, no fim das contas, elas não criaram novas categorias” de produtos, disse Bob O’Donnell, fundador da empresa de pesquisa TECHnalysis Research. Um iPhone dobrável, na avaliação dele, mostraria “um lado da Apple que não vemos há muito tempo”.

A Apple raramente inaugura uma ideia. O que suas fãs apontam é a capacidade de acabamento, de marketing e de fabricar milhões de unidades em pouco tempo. Diversas publicações já haviam noticiado o desenvolvimento do dobrável, entre elas a agência Bloomberg.

Os preços de tudo o que for anunciado nesta quarta podem subir por causa da escassez de chips de memória provocada pela corrida da inteligência artificial. Em junho, a Apple reajustou os valores de Macs e iPads e atribuiu a decisão ao custo das memórias e dos chips de armazenamento. Em julho, criou um programa de aluguel de iPhones e outros aparelhos por mensalidade, saída para manter a clientela comprando à medida que os produtos encarecem.

Sigilo é parte do método da Apple, que não confirma nenhum produto antes de subir ao palco, mantém fornecedoras sob contrato de confidencialidade e trata o convite como charada (no caso desta quarta a frase “Surprise and shine”). Tudo o que se sabe até aqui vem de vazamentos da cadeia de produção, de registros regulatórios e de reportagens especializadas. O site MacRumors, que acompanha a empresa desde 2000, organizou o que considera mais provável para a apresentação.

O iPhone 18 Pro deve trazer o chip A20 Pro, uma Dynamic Island menor, um botão Camera Control simplificado e uma cor nova, chamada Dark Cherry. O 18 Pro Max repetiria essa lista com uma diferença de tamanho, porque ficaria um pouco mais grosso para acomodar bateria maior, e ganharia câmera de abertura variável, recurso que este ano seria exclusivo dele.

O dobrável apareceria com o nome iPhone Ultra, tela interna de 7,7 polegadas e externa de 5,3, duas câmeras traseiras, uma frontal e Touch ID no botão lateral no lugar do Face ID. O iOS 27 sairia ajustado a esse formato, com aplicativos lado a lado e outras funções de multitarefa parecidas com as do iPad.

Do lado dos relógios, o Apple Watch Series 12 deve vir com chip S11 ou mais recente, bateria de duração maior, melhorias no monitoramento de exercícios e opção de caixa em cerâmica. O Ultra 4 repetiria o chip e as melhorias de treino, com recursos adicionais por satélite estendidos ao Ultra 3 e modelos posteriores, entre eles o Apple Maps e o envio e recebimento de fotos pelo Messages sem rede de telefonia. O Touch ID chegou a ser cogitado para a linha e aparentemente foi descartado. Completam a lista os AirPods 5, em dois modelos, um com cancelamento ativo de ruído e outro sem.

Uma segunda leva de produtos tem chance menor de aparecer nesta quarta e deve ficar para outubro. Nela estão o iPad mini com chip A19 Pro ou A20 Pro, tela OLED, sistema de som por vibração e resistência à água, o iMac com chip M6 e cores novas, e um MacBook Pro de 14 polegadas de entrada, também com M6.

O redesenho maior da linha de notebooks, previsto para o fim deste ano ou o começo de 2027, sairia sob o nome MacBook Ultra, com chips M5 Pro e M5 Max, tela OLED sensível ao toque, Dynamic Island e corpo mais fino, acompanhado de um macOS 27 pensado para o toque. Também estão na fila uma Apple TV com chip A17 Pro ou mais novo, 8 GB de memória para o Apple Intelligence, Siri com inteligência artificial, chip N1 com Wi-Fi 7 e controle remoto atualizado, além de um HomePod mini com chip mais recente, som melhor, banda ultralarga de segunda geração e possível versão vermelha.

Falta ainda a central doméstica que a empresa desenvolve há tempos, com Siri de inteligência artificial, tela quadrada de 6 a 7 polegadas, chip A18, FaceTime e duas configurações, uma de mesa sobre base com alto-falante e outra para instalação na parede.

Para acessar o canal da Apple no YouTube, clique aqui.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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