Publicado em: 30 de setembro de 2026
Duas equipes da Escola Estadual Padre José Nicolino de Souza, de Oriximiná, ficaram com o primeiro e o segundo lugar da etapa estadual do Pará no Desafio Liga Jovem Sebrae. A Biomakers Amazônicos venceu com o Papel Inteligente Biodegradável Produzido com Biomassa Amazônica para Monitoramento Visual de pH da Água. No degrau seguinte do pódio veio a InovaMentes: Gigantes da Inovação, com a Tinta Solar Fotovoltaica com Pigmentos Naturais da Amazônia.
O papel indicador de pH já vinha sendo premiado em 2026. Em setembro, na XI FEBIC, em Joinville (SC), o projeto levou o Prêmio Destaque em Preservação e Gestão Sustentável da Água e saiu com credenciais para a SABERTEC, em Sapucaia do Sul (RS), em outubro de 2027, e para a Genius Olympiad International High School Project Fair, em Rochester, Nova York, em junho do mesmo ano. Antes, na Expo MILSET Brasil, em Fortaleza, ficou em quarto lugar no Prêmio Abric de Incentivo à Ciência e garantiu vaga no MUESCINTEC, no Paraguai.
A base do papel é feita de folhas de bananeira e resíduos de açaí. Sobre ela, as pesquisadoras aplicam extratos de repolho roxo e açaí ricos em antocianinas, pigmentos que mudam de cor conforme a acidez. Em água ácida, o papel fica avermelhado ou rosado. Perto da neutralidade, fica roxo, e em meio alcalino, azulado ou verde-azulado. Os testes foram feitos no laboratório da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), campus Oriximiná, e no Laboratório Municipal de Análise de Água, com resultados compatíveis com os de equipamentos especializados.
A proposta é oferecer a famílias ribeirinhas, quilombolas e indígenas que consomem água de rios, igarapés e poços uma forma barata de acompanhar o pH sem depender de análise laboratorial. O trabalho é de Giulia Cabral Guerreiro, Marcos Vinícius Santos de Oliveira e Matheus William Jordão Rodrigues, com orientação da professora Andreza Maria Santos de Oliveira e coorientação da professora Silvana Maria Cabral Guerreiro.

A professora Andreza Maria também orienta a equipe da tinta solar, formada por Maysa Lorrana Franco Lavor, Maria Sophia Brito Franco e Heitor Calderaro Nunes. O grupo investiga se pigmentos de urucum, jenipapo e fontes de clorofila funcionam como materiais fotossensíveis, capazes de participar da conversão da luz em energia elétrica. As estudantes extraem os pigmentos, incorporam o material a sistemas fotossensíveis e medem como os protótipos respondem quando expostos à radiação luminosa.
A aposta é numa alternativa mais acessível e de menor impacto ambiental do que os materiais usados nas tecnologias fotovoltaicas convencionais, feita com recursos disponíveis na própria Amazônia.

Promovido pelo Sebrae e na quarta edição, o Desafio Liga Jovem reúne equipes de duas a cinco estudantes do ensino fundamental, médio e técnico, com uma orientadora, para criar soluções com tecnologia voltadas à escola ou à comunidade. Na etapa estadual, as selecionadas apresentam o projeto ao vivo, on-line, a uma banca que avalia entendimento do público-alvo, criatividade e inovação, impacto no dia a dia da comunidade, sustentabilidade financeira e protótipo. Pelo regulamento, a melhor equipe de cada banca é classificada para a etapa nacional, com bancas presenciais de semifinal e final.
Na FEBIC, a escola foi campeã nacional em Ciências Humanas no ensino médio com o Modelo Comparativo Intercultural para Valorização das Culturas Indígena e Quilombola de Oriximiná aplicado à educação antirracista, de Isabella Soares Farias e Amanda Sofia Portilho da Cunha. O trabalho, que aproxima as culturas Waiwai e quilombola do município, foi escolhido o melhor projeto da região Norte e rendeu credencial para a Genius Olympiad, nos Estados Unidos.
Os resultados vêm sem apoio do governo estadual. A Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc-PA) indeferiu o pedido da escola para custear as três feiras para as quais as equipes se classificaram. A viagem a Joinville só saiu porque a prefeitura de Oriximiná pagou as passagens, a poucos dias do embarque. Na Expo MILSET, em Fortaleza, as famílias bancaram os custos e duas equipes viajaram incompletas.
Com as feiras de outubro a poucos dias, estudantes e professoras seguem em campanha por patrocínio. Para o MUESCINTEC, em Assunção, de 6 a 8 de outubro, o voo de ida ao Paraguai já está comprado. Faltam quatro passagens até Belém, no dia 4, e quatro passagens de volta de Assunção, no dia 8. Também é necessário o valor de 600 dólares para a inscrição na feira, que ser pago no momento da chegada da equipe no Paraguai.
A Expociencias Nacional, em Santiago, no Chile, de 27 a 31 de outubro, exige seis passagens no trecho Oriximiná–Santiago–Oriximiná, com ida em 25 de outubro e retorno em 1º de novembro.
A campanha Missão Amazônia 2026 recebe contribuições de qualquer valor pela chave Pix eandrezamaria25@gmail.com, em nome de Andreza Maria Carmo dos Santos, e pelo PicPay. Empresas interessadas em patrocinar passagens ou outras despesas da delegação podem tratar pelo mesmo e-mail ou pelos telefones 93 97400-2237 (ligação) e 93 99210-5697 (WhatsApp).











Comments