Publicado em: 7 de julho de 2026
Em Belém, o crime compensa.
Este texto não fala das marcas de CV espalhadas pela cidade. Falamos, sim, de um crime de autoflagelação e, ao que parece, compensa, e muito.
Num curtíssimo espaço de tempo, acompanhamos uma obra totalmente irregular na Felix Roque, na Cidade Velha, que conta com alvará de obra; uma rede de junk food depredando a calçada no Largo do Redondo, em Nazaré; essa semana, a queda de parte de um casarão histórico no comércio; e, no Umarizal, o fim de uma padaria centenária.
Por mais que haja punição em alguns casos, vemos novos casos ocorrerem cotidianamente.
Qual, então, a ação que devemos tomar?
A primeira seria a educação patrimonial, que nos é falha. Vemos boas iniciativas, como as aulas públicas do Michel Pinho; o perfil do Belém Nostalgia, com seu trabalho de resgate da memória, além de outros perfis que usam o Instagram, fora a própria universidade, que hoje conta com cursos e o Fórum Landi no Centro Histórico.
O segundo ponto é financeiro: em vez de apenas a multa, precisamos de instrumentos mais severos, como a perda do alvará de funcionamento.
O terceiro ponto é uma mudança de mentalidade. É preciso que valha a pena conservar o patrimônio da cidade, tanto financeiramente quanto em termos de imagem, mas isso só se resolve com regulação e um mercado dinâmico. É impossível para o Município ou o Estado assumir todos os prédios de valor histórico da cidade. Então, precisamos de regulações que, ao mesmo tempo, tornem mais interessante conservar do que destruir.
A solução passa necessariamente pela nossa Câmara de Vereadores. Não adianta decretar o “Raio que o Parta” patrimônio da cidade, sem estabelecer multas para crimes contra o patrimônio, sem regular o IPTU progressivo, sem instituir instrumentos de incentivo à conservação, ou sem desburocratizar o licenciamento que mantenha as áreas históricas economicamente ativas.
E essa omissão torna nossos vereadores tão criminosos quanto quem destrói nossa memória. Mas o crime, compensa.







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