Publicado em: 4 de setembro de 2026
Os diários do polímata – advogado, promotor de justiça, jornalista, professor catedrático, médico, político, literato, artista, filósofo e humanista – Raymundo Avertano Barreto da Rocha, um dos intelectuais mais versáteis da história do Pará, agora integram o acervo do Instituto Histórico e Geográfico do Pará.
Seu filho, Octávio Avertano Barreto da Rocha, foi o guardião dos diários do pai. Antes de falecer em 2024, pediu à sua esposa, Nalva Avertano-Rocha, que os entregasse à guarda do Instituto. Na noite de ontem (3), o seu desejo foi cumprido.
“Hoje, estou aqui, com muita emoção, para cumprir um desejo que meu marido, Avertano Rocha, manifestou em vida: entregar ao Instituto Histórico e Geográfico do Pará os diários de seu pai, o Dr. Avertano Rocha. Meu sogro teve uma trajetória muito importante nesta Casa, da qual foi membro e presidente, e o próprio Avertano também teve uma relação muito especial com o Instituto, chegando a ser membro emérito ao final de sua vida. Para nossa família, entregar esses diários ao IHGP não é apenas fazer uma doação. É preservar uma memória, um pedaço da história e confiar à Casa que tão bem preserva a memória do Pará um legado muito precioso. Meu marido desejava que esses escritos fossem preservados aqui, e hoje tenho a felicidade e a emoção de poder realizar esse desejo. Tenho certeza de que, onde quer que ele esteja, está feliz por eu estar cumprindo essa vontade que ele deixou. Agradeço, de coração, ao IHGP, ao professor Álvaro e a todos que recebem esses documentos com tanto carinho e respeito”, declarou a gastróloga e bacharela em direito Nalva Avertano-Rocha, viúva de Octávio Avertano Rocha, no ato formal realizado no estande do Instituto na Feira Pan-Amazônica do Livro.
O presidente do IHGP, professor Álvaro do Espírito Santo, vai avaliar a possibilidade de publicar os diários sob o selo editorial do Sodalício. “Foi uma honra para o IHGP receber os diários de Raymundo Avertano Rocha, intelectual com ativa participação na história do Instituto, inclusive como seu presidente. O gesto do seu filho, Octávio Avertano Rocha, de deixar sob a sua guarda esses documentos denota o amor que teve em vida, como sócio, a esta centenária instituição”, afirmou.
Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife, com distinção e louvor, Raymundo Avertano Rocha lecionou por quarenta anos no Colégio Paes de Carvalho e foi Procurador-Geral do Estado. Também se graduou em medicina, já aos 46 anos de idade, pela Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, em 1929. Sua tese de doutoramento, “Etiologia, Sintomatologia e Terapêutica do tédio mórbido”, foi aprovada com distinção unânime. Membro fundador do Instituto Paraense de História da Medicina, presidiu a Academia Paraense de Letras e vice-presidente do IHGP, escreveu ensaios, teses, crônicas e poesias. A filosofia era o norte de sua visão de mundo. Em seus discursos e aulas, aplicava conceitos clássicos. Como resumiu o discurso de sua sucessão na APL, ele personificava o conceito de Hipócrates: “O médico que é ao mesmo tempo filósofo e artista, esse é um homem semelhante aos deuses.”
Nascido em 27 de outubro de 1883 em Belém, onde faleceu em 28 de outubro de 1960, deixou um legado cultural profundo, sucedido na tradição intelectual por seu filho, o também renomado Octávio Avertano de Macedo Barreto da Rocha, jurista, filósofo, jornalista, economista, teólogo, escritor, pesquisador e professor, que deu grande contribuição às artes, à ciência, às letras e à educação.
São da lavra de Raymundo Avertano Rocha os ensaios “Sob o domínio do Direito”, 1909; “Fragmentos Filosóficos”, 1920; “Aspectos da Comunidade Luso-Brasileira”, 1958; “Ensaios de Processualística Criminal” (prefaciado por Farias Brito); “Etiologia, Sintomatologia e Terapêutica do tédio mórbido” (tese de medicina), e “Matizes do Ensino e Finalidades Educativas”.
Seu nome batiza a Biblioteca Pública Municipal Avertano Rocha, localizada no distrito de Icoaraci, e uma rua no centro histórico de Belém.





















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