Publicado em: 6 de julho de 2026
A área está isolada em vários trechos: na rua 13 de maio c/ Trav. 7 de Setembro; 13 de maio c/ Trav. Campos Sales; Trav. Padre Eutíquio com rua Manoel Barata; e Padre Eutíquio c/ a rua João Alfredo.
Comerciantes, funcionários e ambulantes estão sentindo os efeitos do isolamento de cerca de quatro quarteirões por medida de segurança. Muitos estabelecimentos precisaram fechar enquanto equipes técnicas do Corpo de Bombeiros Militar e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional avaliam as condições estruturais do imóvel que caiu.
A maioria das edificações históricas em Belém não recebe qualquer manutenção e nem é alvo de medidas preventivas. As ações são sempre depois que acontecem os sinistros. E os cidadãos rezam para que não aconteça uma tragédia.
Em incontáveis vezes representantes de instituições voltadas à valorização do patrimônio público procuraram a prefeitura de Belém, a fim de propor uma grande intervenção, a exemplo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Pará, Instituto Histórico e Geográfico do Pará, Fórum Landi, associação Cidade Velha, Cidade Viva, Projeto Roteiros Geoturísticos e Projeto Circular. Apresentaram propostas envolvendo toda a área circundada pelas avenidas Presidente Vargas, Almirante Tamandaré e Marechal Hermes, o Boulevard Castilho França e as praças do Carmo e Dom Pedro, entre outras, recomendando serviços de restauro e ressignificação de modo a promover o desenvolvimento econômico, a valorização paisagística dos conjuntos edificados do centro histórico, melhorias nas condições de acessibilidade e mobilidade. Mas as décadas passam sem que seja enfrentado o problema, que vem se agravando.
Vale lembrar que trata-se de sítio histórico, artístico e cultural de imenso valor. Além de berço da cidade, foi naquele entorno que eclodiu a Cabanagem, há 191 anos. Ali estão localizadas a catedral metropolitana, a belíssima capela do colégio do Carmo, o complexo dos Mercedários, o Solar Barão de Guajará, o Palácio Lauro Sodré – antiga sede do governo do Pará, hoje Museu do Estado, primeiro prédio neoclássico construído no Brasil, obra do arquiteto italiano Antônio Landi – e o Palácio Antonio Lemos, sede da Prefeitura de Belém, projetado por José da Gama Abreu em 1860, ambos expoentes da belle époque amazônica, além de muitos outros casarões da maior importância.
Os órgãos de proteção ao patrimônio nos âmbitos municipal, estadual e federal poderiam – e deveriam – agir. Antes que aconteça uma tragédia.










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