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Um ato político-cultural realizado no Boulevard da Gastronomia, em Belém, foi o cenário do lançamento da pré-candidatura à reeleição da deputada estadual Lívia Duarte (PSOL) na noite da última quarta-feira, 10, prestigiada por lideranças sociais e políticas, dos movimentos Sem-Terra (MST) e dos Atingidos por Barragens (MAB), LGBTQIAP+, além de defensores dos direitos humanos, ambientalistas e educadores, como a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, os ativistas João do Clima e Beatriz Moreira, que esteve na recente flotilha humanitária interceptada por Israel a caminho de Gaza. O ex-prefeito de Belém e ex-deputado estadual e federal Edmilson Rodrigues também esteve presente.


“Nós estamos falando de uma política que precisa ser ocupada por nós, que precisa ter a nossa cara, a cara do povo paraense”, destacou Lívia, que recordou as ameaças sofridas durante o mandato – a exemplo de outras parlamentares do PSOL pelo Brasil, – e falou, emocionada, que a violência política não vai frear a ocupação de espaços de poder pelas mulheres. “Marielle (Franco), presente”, disse, puxando o grito de ordem em homenagem à vereadora do partido assassinada em 2018, no Rio de Janeiro.


Paula Coradi lembrou o início da trajetória política de Lívia Duarte, no movimento estudantil, quando elas se conheceram. “Eu sei que você vai abrir portas para outras pretas porque sempre defendeu um projeto coletivo. A sua reeleição é muito importante aqui no Pará. É um mandato que orgulha o nosso partido, uma referência. Estou muito confiante na sua reeleição”.


O PSOL participou com a sua chapa completa de pré-candidatos ao governo do Pará (ex-deputada estadual Araceli Lemos), deputada federal (vereadora de Belém Vivi Reis; ex-vereadora Nazaré Lima e a suplente de vereadora Leila Palheta) e ao Senado (ex-vereadora Gizelle Freitas e professor Marcelino Conti).


Militante socialista, feminista e antirracista, Lívia Duarte tem exercido um mandato combativo, com intensa produção legislativa e que se consolidou como referência da esquerda no Legislativo paraense.


Nascida na periferia da Região Metropolitana de Belém, ela se tornou militante aos 13 anos de idade, no movimento estudantil. Lívia é psicóloga, graduada em Direito, mestranda em Ciência Política pela Universidade Federal do Pará e estudante do Círculo Psicanalítico do Pará. Estreou na política partidária como vereadora de Belém, entre os anos de 2021 e 2022, período em que foi autora do Estatuto da Igualdade Racial da cidade, em parceria com o movimento negro, que está em vigor.


Como deputada estadual, Lívia Duarte conseguiu aprovar dezenas de projetos de lei de sua autoria, como a obrigatoriedade de instalação de delegacias da mulher em todos os municípios paraenses, de incentivo à doação de órgãos, o fim da arquitetura hostil em espaços públicos e de combate ao assédio e à violência contra a mulher em ambiente universitário. Ela também é autora de projetos de lei que garantem licenças para servidoras públicas que são mães atípicas acompanharem os filhos em terapias e consultas médicas; a proteção de trabalhadores no calor extremo; a oficialização de idiomas indígenas; e mais prazo para puérperas entregarem teses de mestrado e doutorado, entre outros.


Lívia integrou o grupo de trabalho de transição do presidente Lula, em 2022, contribuindo para as políticas de combate ao racismo ambiental, sendo a única mulher negra do norte e a única mulher do Pará a receber o convite.


Além disso, participa do fórum mundial dos parlamentares contra os combustíveis fósseis junto a 900 parlamentares do mundo na defesa do meio ambiente e tem sido presença constante nas edições anuais da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW), principal evento da ONU Mulheres.


Em 2025, a atuação de Lívia Duarte teve repercussão nacional no apoio aos indígenas e educadores que ocuparam a sede da Secretaria de Estado de Educação em Belém, movimento que conquistou a revogação da lei estadual 10.820/2024, que retirava direitos dos trabalhadores da educação e acabava com as aulas presenciais no interior paraense. Novamente, em 2026, ela esteve ao lado dos indígenas na ocupação da multinacional Cargill, em Santarém, que conseguiu a revogação do decreto federal 12.600/2025, que incluía os rios Tapajós, Tocantins e Madeira no Programa Nacional de Desestatização, permitindo que empresas privadas fizessem dragagem e o controle do tráfego de embarcações nessas áreas.

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