Publicado em: 9 de julho de 2026
O encerramento das oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, nesta terça-feira (7), confirmou o caráter imprevisível daquele que já é considerado um dos Mundiais mais equilibrados da história. Em Atlanta, a Argentina protagonizou uma virada dramática diante do Egito e manteve vivo o sonho do bicampeonato. Em Vancouver, Suíça e Colômbia travaram um duelo de enorme intensidade, decidido apenas nas cobranças de pênaltis. Com isso, ficaram definidos os oito classificados para as quartas de final do torneio.
A partida entre Argentina e Egito, disputada na Georgia, entrou imediatamente para a galeria dos grandes jogos das Copas. Os africanos abriram 2 a 0 com gols de Yasser Ibrahim e Mostafa Zico, controlando boa parte do confronto e deixando os atuais campeões mundiais à beira da eliminação. Nos minutos finais, porém, Cristian Romero diminuiu, Lionel Messi empatou e Enzo Fernández marcou nos acréscimos, decretando a vitória argentina por 3 a 2 em uma reação histórica.
O roteiro da classificação argentina teve Messi como protagonista absoluto. O camisa 10 desperdiçou um pênalti durante a partida, mas assumiu a responsabilidade quando a equipe mais precisava, participando diretamente da arrancada final e marcando o gol de empate antes da assistência decisiva para Enzo Fernández. Após o apito final, o craque se emocionou e deixou o gramado às lágrimas, enquanto o técnico Lionel Scaloni também destacou o caráter quase inacreditável da classificação.
Apesar da eliminação, o Egito despediu-se de cabeça erguida após sua melhor campanha em Copas do Mundo. A seleção africana enfrentou de igual para igual a atual campeã, esteve à beira da classificação e deixou o torneio envolta em intensas controvérsias. Um gol anulado após revisão do VAR, reclamações sobre lances decisivos e o gol da virada argentina, contestado pelos egípcios por uma suposta falta na origem da jogada, alimentaram fortes críticas à arbitragem. O técnico egípcio Hossam Hassan chegou a acusar a FIFA de favorecer a Argentina, ampliando um debate que promete permanecer vivo nas próximas semanas.
Na outra partida do dia, disputada em Vancouver, Suíça e Colômbia protagonizaram um confronto extremamente equilibrado. O empate sem gols persistiu durante o tempo regulamentar e a prorrogação, refletindo o alto nível defensivo das duas equipes. Nas penalidades, entretanto, os suíços mostraram maior eficiência e venceram por 4 a 3, garantindo presença entre os oito melhores do Mundial e igualando a melhor campanha de sua história em Copas do Mundo.
A classificação suíça reforça o equilíbrio entre seleções de diferentes continentes. O técnico suíço Murat Yakin comemorou o feito, enquanto analistas destacaram que o futebol internacional vive um momento de crescente distribuição de forças, reduzindo a distância entre as tradicionais potências e as seleções emergentes. A campanha da Colômbia também confirmou esse cenário, encerrando uma participação consistente que novamente colocou os sul-americanos entre os protagonistas do torneio – deixando a Copa de forma invicta.
As quartas de final começam nesta quinta-feira (9), em Boston, com França x Marrocos, às 17h (horário de Brasília). Na sexta-feira (10), Espanha e Bélgica se enfrentam em Los Angeles, às 16h. No sábado (11), Noruega e Inglaterra jogam em Miami, às 18h, enquanto Argentina e Suíça encerram a fase em Kansas City, às 22h.
Depois de uma fase eliminatória marcada por zebras, reviravoltas e decisões dramáticas, a Copa do Mundo de 2026 reafirma que o futebol global vive um momento de equilíbrio inédito, no qual tradição continua importante, mas já não garante mais o favoritismo.
Imagem em destaque: caricatura digital gerada por IA de Lionel Messi.
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista










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