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Continua a hecatombe pela posse da terra

A violência campeia e as estatísticas são de guerra. Hoje, o trabalhador rural Eduardo Soares da Costa foi torturado e morto dentro da Fazenda Serra Norte, em Eldorado dos Carajás, região com terras historicamente griladas e de muitos conflitos. Conforme o MST, o agricultor foi assassinado com requintes de perversidade: teve seus dedos cortados, braços e pernas quebrados em várias partes, e após ser degolado e atingido por vários tiros, facadas e pauladas, o corpo foi deixado em outro local, dentro de um saco.

Ontem à noite a sindicalista Kátia Martins, 43 anos, presidente da Associação de Moradores do Assentamento 1º de Janeiro, foi executada com cinco tiros dentro da própria casa, na zona rural do município de Castanhal. Dois homens chegaram de moto e abateram a vítima com seis tiros, na frente do seu netinho de seis anos. O local, no Km 20 da rodovia PA-127, onde vivem 94 famílias há cinco anos, é uma área de conflito pela posse da terra e Kátia já tinha sofrido ameaças. 

Hoje, a Operação Liberdade, da Polícia Federal, que investiga invasões de terra da União, extração ilegal de madeira, falsidade ideológica, receptação qualificada e ameaça, dentre outros crimes, foi deslanchada nos municípios de Pacajá e Redenção, no sul do Pará. Cerca de 60 policiais federais cumpriram 14 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão preventiva, expedidos pela 9ª Vara Federal em Belém do Pará. Entre os presos, um ex-secretário do Meio Ambiente de Pacajá e a presidente da Associação de Extrativismo Rio Aruanã. 

A decisão judicial também determinou o sequestro dos ativos financeiros dos envolvidos. As investigações identificaram que um braço da organização criminosa operava grilando terras públicas e particulares, aterrorizando seus posseiros, de modo a viabilizar a exploração ilegal de produtos florestais e outros crimes. O bando também se valia de pessoas que, enganadas, figuravam como donos dos imóveis rurais (laranjas). Multas e embargos lavrados pelo Ibama, por exemplo, eram tombados em seus nomes, ocultando os verdadeiros responsáveis. O nome da operação alude à área invadida e desmatada, denominada PDS Liberdade. 

Segundo a Comissão Pastoral da Terra da CNBB Norte II, nos últimos dez anos 860 conflitos agrários estão registrados e 102 pessoas foram assassinadas. Só no ano passado, seis pessoas tombaram.  

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