Publicado em: 4 de agosto de 2026
Uma vez por ano, as águas do rio Trombetas se confundem com o céu estrelado, durante o Círio Fluvial Noturno de Santo Antônio, em Oriximiná (PA). Milhares de barquinhas artesanais iluminadas, confeccionadas com aninga e velas, flutuam formando um tapete incandescente que desliza suavemente ao sabor do vento e das ondas. O grandioso espetáculo visual, somado ao som das orações, dos cânticos e dos fogos de artifício, cria uma atmosfera de profunda comoção e beleza cênica. Neste domingo, 2, com o tema “80 anos de tradição e evangelização”, a maior e mais bela procissão fluvial noturna do mundo reuniu dezenas de milhares de pessoas. Nada menos que 16.052 miniaturas pontilharam o rio.
De madrugada, a tradicional alvorada percorreu as ruas da cidade para anunciar o grande dia. Na boca da noite, por volta das 19h, a romaria fluvial partiu da comunidade Nossa Senhora da Conceição, às margens do rio Nhamundá, na zona rural de Oriximiná.
A imagem de Santo Antônio, em uma balsa especialmente ornamentada, tinha no centro uma grande escultura do padroeiro e, ladeado por centenas de barcos decorados e iluminados, o impressionante cortejo navegou pelas águas do Trombetas até o porto da cidade.
Na chegada ao cais, em torno das 21h, fogos de artifício rasgaram o céu e drones formaram lindas imagens alusivas ao Círio de Santo Antonio, num espetáculo concebido pelo próprio prefeito, Delegado Fonseca, e guardado a sete chaves por sua equipe. O bispo diocesano de Óbidos, Dom Bernardo Johannes Bahlmann, acompanhado pelos padres da diocese, conduziu a procissão terrestre pelas ruas da cidade até a Praça de Santo Antônio, onde foi celebrada missa campal assistida por milhares de fiéis.
A cidade vive um momento histórico durante a celebração do Círio de Santo Antônio deste ano, que segue até o dia 16 de agosto e superou em beleza, originalidade e imensidão todos os outros. Se o dia da procissão é o ápice, a magia do Círio começa muito antes, pelas mãos calejadas e fervorosas dos moradores locais. A participação popular é o verdadeiro motor da festa, a Prefeitura apoia tudo e faz a sua parte. Nas casas, nas associações e nos galpões, oriximinaenses de todas as idades se reúnem em uma verdadeira força-tarefa para a confecção das pequenas barquetas e luminárias, feitas à mão com aninga, papel de seda, palha e velas. Ribeirinhos preparam seus barcos, rabetas e voadeiras, enfeitados com fitas, flores e iluminação especial. Famílias organizam as barquinhas ecológicas que são soltas nas águas durante o cortejo noturno. Cada nó dado nas fitas, cada vela fixada e cada flor disposta carrega uma promessa, um agradecimento, uma prece.
O aprimoramento da iluminação dos barcos, a preocupação crescente com a sustentabilidade na escolha dos materiais e a organização impecável dos voluntários têm feito do Círio de Oriximiná uma manifestação cultural cada vez mais bonita, madura e reconhecida nacionalmente.
É a prova viva de que a cultura amazônica é feita de luz, resistência e comunhão. Mais do que uma festa religiosa, o Círio de Santo Antonio é o momento em que o povo oriximinaense reafirma sua identidade, celebra suas águas e renova sua esperança. Um espetáculo inesquecível, em que a fé humana e a grandeza da natureza caminham — e flutuam — juntas.




































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