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Enquanto a maioria dos políticos guarda silêncio sepulcral, o candidato ao Senado e presidente da Assembleia Legislativa do Pará, deputado Chicão, assumiu protagonismo ao se posicionar publicamente sobre o tema mais explosivo do momento e que afeta a República, com consequências imprevisíveis. Em vídeo postado nas redes sociais, Chicão defende que o ministro Alexandre de Moraes seja afastado temporariamente do cargo a fim de prestar esclarecimentos acerca das gravíssimas denúncias no escândalo Vorcaro/Banco Master. Afirmando que é preciso dar respostas claras e transparentes à nação e que o mais adequado seria Moraes cuidar de sua defesa e poupar a imagem e a credibilidade do Supremo Tribunal Federal, profundamente desgastadas, Chicão ressaltou que as denúncias precisam ser apuradas com rigor.


Ao mesmo tempo, o candidato ao Senado pelo Pará acentua que o momento exige equilíbrio e sensatez, e a crise institucional não deve ser utilizada para tumultuar as eleições gerais deste ano.


A situação de crise abala o país. No relatório de 218 páginas que a Polícia Federal entregou ao ministro André Mendonça na quinta-feira, 27, 181 páginas tratam de contatos do banqueiro preso com Alexandre de Moraes, outras dezoito mencionam expressamente o procurador-geral da República Paulo Gonet e o próprio diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.


Moraes reagiu encaminhando ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um pedido de investigação contra Mendonça. Fachin deu cinco dias para que todos os envolvidos – Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues – se manifestem sobre o teor escandaloso das conversas comprometedoras com Vorcaro.


Nunca na história brasileira tantas autoridades do primeiro escalão da República estiveram envolvidas simultaneamente em tanta indignidade, com o STF, a PF e a PGR mergulhados em crises de legitimidade. O Congresso é um caso à parte. Vorcaro pediu, por mensagem, proteção a Andrei Rodrigues (diretor-geral da PF) e a Paulo Gonet (PGR), com a PF concluindo que o destinatário final da articulação era o próprio Alexandre de Moraes, que teria editado um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master. Vorcaro teria autorizado cartões de crédito de R$ 300 mil para os filhos do ministro. E, dois dias antes de ser preso, perguntou a Moraes se precisava deixar o país. Mendonça cobrou explicações da PGR e pediu que o plenário do STF analise o caso em sessão pública, enquanto Gonet quer a nulidade do relatório.


Por outro lado, nunca se ouviu falar no mundo do direito de caso igual ao Inquérito das Fake News, instaurado por Alexandre de Moraes em 2019 de ofício, contra a vontade do Ministério Público, para apurar suposta ameaça aos ministros do Supremo. Dois procuradores-gerais da República já pediram seu encerramento, sem sucesso.

Foto: Celso Lobo

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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