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Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Unicef mostrou que, em 2025, o Brasil registrou 2.079 mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes de até 17 anos. Desse total, 428 foram em decorrência de intervenções policiais. Não por acaso, a maioria desses meninos e meninas tinha pele negra. E isso é apenas uma ponta do iceberg.


Há que se lembrar, também, das milhares de crianças e adolescentes que ficam órfãos e ao desamparo por suas mães terem sido vítimas de feminicídio, todos os dias. As infâncias interrompidas por trabalho infantil, abusos e exploração sexual, pelo tráfico humano, pela gravidez precoce, pela fome, pelo analfabetismo, pelas famílias desestruturadas em razão de vícios como as bets, o álcool e as drogas.


São fatos profundamente perturbadores, que afetam o país inteiro e que deveriam provocar indignação coletiva, estar em evidência na campanha eleitoral, sendo expostos, discutidos e equacionados pelos candidatos ao Legislativo e ao Executivo. Mas ninguém fala deles e muito menos propõe medidas eficazes para conter essa hecatombe, e necessariamente precisam constar nos orçamentos públicos, nos âmbitos municipal, estadual e federal. Proliferam discursos vazios, dancinhas, fotos e vídeos com bebês no colo e promessas sem fundamento.


Quando uma criança morre, com ela se vai tudo aquilo que ela ainda poderia ter sido. Quando é marcada para sempre, no corpo e na alma, nada pode restituir a sua paz. Nenhuma sociedade deveria se acostumar com isso. Que infância está sendo protegida? Toda criança deveria crescer com segurança e felicidade, exercitando seus direitos. Mas para a maioria absoluta das crianças brasileiras, isso é um privilégio.


Ao escolher deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República, pense nisso. Verifique o que cada um fez concretamente a esse respeito.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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