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Excelentíssima Senhora Governadora,


Dirigimo-nos a V. Exa. para erguer um clamor que ultrapassa os muros institucionais e alcança a alma da gente parauara: o restauro imediato da sede da Academia Paraense de Letras, com todos os equipamentos necessários ao seu pleno funcionamento.


A cultura é a medula óssea de um lugar, o espelho no qual contemplamos o passado e o farol que ilumina o futuro. O casarão histórico da APL não abriga apenas livros; guarda a memória viva de grandes pensadores, poetas, romancistas, ensaístas, memorialistas e cronistas que verteram em palavras a essência da Amazônia. Ver esse templo sucumbir à ação do tempo, vilipendiado por sucessivas invasões, saques e depredações, equivale a contemplar o doloroso apagamento de nossa ancestralidade.


Ainda que ferida neste momento dramático, a APL recusa-se a silenciar. Nela se mantém o pulsar vibrante e a ressonância imortal da alma parauara.


O Estado tem o dever constitucional de tutelar, promover e proteger o seu patrimônio histórico, artístico e cultural. Permitir que o espaço máximo da literatura do Pará permaneça desprovido de infraestrutura digna, acervo preservado e tecnologia moderna é incorrer em uma dívida irreparável com as presentes e as futuras gerações.


Restaurar a Academia é devolver a Belém e ao Pará a dignidade de sua voz intelectual; equipá-la é garantir que a juventude continue a encontrar inspiração e pertencimento em nossas raízes.


Governadora Hana Ghassan, a história reserva um lugar de honra àqueles líderes que constroem pontes indestrutíveis com a memória e a sabedoria de sua gente. Reivindicamos não um favor político, mas o cumprimento de uma salvaguarda sagrada: a intervenção improtelável para restabelecer as atividades da Academia Paraense de Letras, todas com acesso livre e gratuito, desde 1900. É premente o restauro da edificação, que padece com infiltrações graves a ameaçar o acervo, móveis e cadeiras destruídos e perda de equipamentos essenciais, fruto do desamparo estatal.


Há muitos anos pleiteamos a cessão do imóvel ao lado, pertencente ao patrimônio municipal, para nele funcionar a biblioteca da APL, além de livraria focada em autores amazônicos. O casarão foi reformado e destinado a Casa Rua. Porém, sem fiscalização e controle, logo ficou destruído e gerou ponto de vulnerabilidade social e uso de substâncias ilícitas, foco de insegurança pública e degradação urbana às portas da APL, colocando em risco os frequentadores e em especial os estudantes do vizinho Colégio Paes de Carvalho.


Pedimos ao prefeito Igor Normando que criasse um abrigo digno para aquelas pessoas, o que ele atendeu, mas até agora não houve a doação do espaço, que merece, como item protegido por lei, ter o uso adequado. Solicitamos o vosso apoio na articulação para a incorporação do casarão à APL.


Que o vosso governo seja lembrado não pelo silêncio diante da degradação, mas pela coragem de reacender a chama da nossa cultura. A literatura do Pará resiste, mas precisa — e exige — o respeito que lhe é devido.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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