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Enquanto parte dos torcedores acompanha a Copa do Mundo marcada por frustrações em campo e pela repercussão de várias controvérsias envolvendo a FIFA, outra seleção brasileira constrói uma campanha dominante longe dos holofotes. Nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia, a delegação paralímpica alcançou 64 medalhas nesta terça-feira (7), manteve a liderança isolada do quadro geral e encerrou as disputas do tênis de mesa com uma das melhores atuações da competição.

O sexto dia de provas rendeu 17 medalhas ao Brasil: foram 16 no tênis de mesa (cinco de ouro, seis de prata e cinco de bronze) e mais um bronze conquistado pela seleção masculina de basquete em cadeira de rodas. Com o desempenho, o país soma 27 ouros, 26 pratas e 11 bronzes, à frente da Colômbia, que aparece em segundo lugar com 27 medalhas (11 ouros, sete pratas e nove bronzes), e do Chile, terceiro colocado, com 29 pódios (seis ouros, seis pratas e 17 bronzes).

07.07.26 – Jogos Para-Sulamericanos Valledupar 2026. Tênis de Mesa, no Centro Cultural de la Música Vallenata (CCMV) na cidade de Valledupar, Colômbia. Foto: Marcello Zambrana/CPB

O domínio brasileiro no tênis de mesa ficou evidente no último dia da modalidade. Cinco atletas conquistaram títulos individuais: Fábio Silva, na classe 3; Carlos Eduardo de Moraes, nas classes 4 e 5; Thaís Fraga, nas classes 1 a 3; Jennyfer Parinos, nas classes 9 e 10; e Thiago Gomes, na classe 11. Para quatro deles, o ouro veio um dia depois de já terem subido ao pódio nas disputas de duplas.

Entre as finais, uma foi disputada exclusivamente por brasileiras. Jennyfer Parinos derrotou a catarinense Allana Maschioe conquistou o ouro na classe 9 e 10. Para a paulista, o resultado teve um significado especial por marcar seu retorno aos Jogos Parasul-Americanos após mais de uma década.

“Estou muito feliz de voltar ao Parasul-Americano doze anos depois e desempenhar o meu melhor. Ontem ganhei duas pratas nas duplas. Agora, garantir o ouro no individual é uma felicidade para mim, uma honra e uma chance de mostrar que o trabalho está sendo feito cada vez melhor. A Allana é uma amiga minha e eu ficaria feliz por qualquer brasileiro ganhando, mas claro que vencer é uma realização pessoal”, afirmou.

As medalhas de prata no tênis de mesa também ficaram com Allana Maschio, Cláudio Massad, Joyce Oliveira, Luiz Manara, Guilherme Costa e Aline Meneses. Os bronzes foram conquistados por Arthur Branco, João Pedro Pôssas, Lucas Carvalho, Jean Mashki e Cátia Oliveira.

07.07.26 – Jogos Para-Sulamericanos Valledupar 2026. Tênis de Mesa, no Centro Cultural de la Música Vallenata (CCMV) na cidade de Valledupar, Colômbia. Foto: Marcello Zambrana/CPB

Outra medalha do dia veio no basquete em cadeira de rodas. A seleção masculina venceu a Venezuela por 69 a 46 na disputa pelo terceiro lugar e garantiu o bronze. O destaque brasileiro foi Dario Filho, cestinha da partida com 18 pontos, além de quatro rebotes defensivos e duas assistências.

O resultado encerrou uma campanha de duas vitórias e duas derrotas. Depois de estrear com uma vitória expressiva sobre o Peru por 105 a 12, o Brasil foi superado pela Argentina na fase de grupos e voltou a perder para a Colômbia na semifinal. A recuperação veio justamente na decisão do terceiro lugar.

“Estamos felizes com o bronze porque lutamos muito por ele, mas não era nosso objetivo. O objetivo era ser campeão. A nossa campanha foi difícil. Lutamos muito contra a Argentina, mas perdemos — é um time com caras que jogam na Europa, que jogam juntos há muito tempo, mas estamos crescendo para buscar a medalha de ouro nas próximas competições sul-americanas”, avaliou o paulista Eduardo Feijão.

07.07.26 – Jogos Para-Sulamericanos Valledupar 2026. Jogo de Basquete em Cadeira de Rodas, Brasil X Venezuela, no Coliseo de Baloncesto de la Gota Fría, em Valledupar, Colômbia. Foto: Carol Coelho/CPB

Se o tênis de mesa chegou ao fim, outras modalidades mantêm o Brasil na disputa por novos títulos. As seleções masculina e feminina de goalball venceram seus compromissos da fase de grupos e das semifinais e disputarão as finais nesta quarta-feira (8). Os homens enfrentarão a Argentina, enquanto as mulheres decidirão o ouro diante do Peru.

O vôlei sentado repetiu o roteiro. Tanto a equipe feminina quanto a masculina derrotaram a Venezuela por 3 sets a 0 nas semifinais e garantiram vaga nas decisões. As mulheres enfrentarão o Peru, enquanto os homens disputarão o título contra a Colômbia.

Valledupar marca o início do ciclo paralímpico rumo aos Jogos de Los Angeles 2028. O Brasil participa da competição com uma delegação de 237 atletas, distribuídos em 13 modalidades, além de atletas-guia, pilotos, goleiros e calheiros. O grupo reúne nomes experientes, entre eles 48 medalhistas paralímpicos e 50 atletas com pódios em Campeonatos Mundiais, mas também uma nova geração: 80 competidores têm, no máximo, 23 anos.

A campanha já supera, em apenas seis dias de competição, o número de medalhas de ouro obtido pelo país na edição anterior dos Jogos Parasul-Americanos, quando a delegação brasileira terminou em quinto lugar no quadro geral com 25 ouros, 25 pratas e 38 bronzes. Agora, a liderança consolidada e quatro finais programadas para esta quarta-feira oferecem ao Brasil a oportunidade de ampliar ainda mais a vantagem sobre os adversários.

Foto em destaque: 02.07.26 – Jerusa Geber e a pilota Marcella Toldi e Viviane Ferreira com a pilota Lara Marinho – Jogos Para-Sul-Americanos Valledupar 2026. Provas de ciclismo em Codazzi, Colômbia. Foto: Alessandra Cabral/CPB

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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