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Eu poderia começar esse texto simplesmente reclamando dos exemplos materiais de desordem pública perpetrados por candidatos, como o acostamento na esquina da Serzedelo com Pariquis, onde wind banners guardam vagas para quem faz parte do comitê do candidato. A poluição visual exagerada, com cartazes colados em muros do patrimônio histórico na Campina, além da poluição sonora que extrapola os limites do aceitável na Doca, são apenas alguns exemplos entre muitos espalhados por toda a cidade.

No entanto, é necessário observar o que levou à desobediência às leis que garantem o mínimo de urbanidade, ou seja, observar a nossa crise de Confiança Social, que é um pacto estabelecido entre as pessoas e que a literatura aponta como sendo de três tipos principais.

  • A disposicional, que trata da predisposição para confiar em alguém a partir do contexto e das relações interpessoais, como parentesco, mesmo credo religioso ou político ou, ainda, o grupo social.
  • Há também a confiança baseada em valores estéticos, condicionada por códigos visuais, características do ambiente e estereótipos.
  • Por fim, a institucional, que se baseia na reputação e legitimidade de instituições ou indivíduos vinculados a elas.

A institucional é o tipo de confiança com maior enfraquecimento na história recente do país. A crise no Supremo e a falta de credibilidade da classe política são exemplos latentes disso. No entanto, existem exemplos mais óbvios e próximos de nós, alguns corroborados pelos próprios candidatos que pedem que tu confies neles para decidirem sobre leis e políticas públicas que irão impactar a tua vida.

Ora, se na campanha já se acham no direito de desobedecer às leis, imagine-os eleitos.

Na Ética a Nicômaco, de Aristóteles, a Política vem de Pólis, ou seja, Cidade, e a Política faz referência à organização das demais atividades humanas em direção ao bem comum. Para tanto, numa sociedade, surgem regras escritas e não escritas com o objetivo de procurarmos esse bem-estar compartilhado. Quando essas regras se perdem, a própria política perde a razão de existir.

Fotos: Acilon Cavalcante

Acilon Cavalcante
Arquiteto e urbanista apaixonado por cidades, histórias e pessoas. Tem mestrado em Artes, mestrado em Arquitetura e é doutorando em Mídias Digitais pela Universidade do Porto. Premiado em projetos de planejamento urbano, já atuou com governos e ONGs no Brasil, Canadá e Portugal, sempre conectando urbanismo, design participativo e sustentabilidade. Gosta de transformar dados em ideias e ideias em cidades mais humanas.

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