Publicado em: 22 de agosto de 2026
A distância entre Belém e o embarcadouro do Arapari, em Barcarena, é de apenas 13 quilômetros. Mas a travessia do rio Guamá, em balsas velhas e desconfortáveis, com empurradores obsoletos e tarifas caríssimas, dura uma hora e meia. Isso quando não encalham ou sofrem pane no meio do rio. Até as rabetas dos ribeirinhos são mais velozes. Pior: as balsas só saem de hora em hora, obrigando os usuários a longa e aflitiva espera, o que causa prejuízos incalculáveis para o turismo, o comércio, a indústria, e principalmente para as pessoas de toda a região do Baixo Tocantins que precisam fazer o trajeto diariamente, a trabalho, para estudo e inclusive ambulâncias transportando doentes, em situação de urgência.
É inadmissível que as empresas, cujos lucros são altíssimos, com balsas completamente lotadas nos percursos de ida e volta, não invistam na modernização do transporte. Da mesma forma, é injustificável que o governo do Estado não cobre melhorias e mantenha a exclusividade delas, que operam em sistema de consórcio para reduzir custos e usam a estrutura estatal do porto sem fazer qualquer benfeitoria, e jamais tenha sido licitada a linha intermunicipal.
Ademais, o embarque e desembarque é caótico e perigoso: pedestres junto a veículos e até mesmo caminhões – o que mesmo sendo proibido continua acontecendo porque não há fiscalização da Artran e Setran. A bordo, a lanchonete oferece poucos itens, que custam o dobro do preço de mercado. Os banheiros estão sempre imundos, sem sabão e lenços de papel.
A travessia é operada do mesmo jeito, pelas mesmas embarcações, há pelo menos quarenta anos. A insatisfação é geral, mas inexplicavelmente o governo resiste a licitar o serviço, que poderia ser veloz, confortável e seguro. Usuários já fizeram incontáveis movimentos de protesto contra o sucateamento.

Um ferryboat moderno convencional percorre 13 km em 20 minutos. E isso nem é novidade. Há onze anos foi lançado o primeiro ferryboat elétrico do mundo, na Noruega, projetado para transporte de um milhão de carros por ano, 120 carros e 350 passageiros em cada viagem. Essa tecnologia economizou um milhão de litros de combustível e evitou, todo ano, a emissão de 570 toneladas de gás carbônico. Os custos operacionais foram reduzidos em quase 90%. Mais de uma década após, existem muitos outros mais modernos e ainda mais amigáveis ao meio ambiente. Por que o governo não cobra isso das empresas?
O transporte hidroviário é fundamental para o desenvolvimento regional, especialmente em áreas com baixa cobertura rodoviária e alta densidade populacional ribeirinha. Pode – e deve! – ser eficiente, sustentável e socialmente justo. Além de reduzir custos operacionais e emissões de carbono, o modal aquaviário promove a integração entre comunidades, garante acesso digno a serviços essenciais e fortalece a economia. Para que esse potencial se concretize no Pará, contudo, é urgente investir em infraestrutura, regulação firme, fiscalização e livre concorrência.










Comments