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O estande da Academia Paraense de Letras na Feira Pan-Amazônica do Livro se destacou pela programação cultural, que envolveu palestras, contação de histórias infantis, rodas de conversa, lançamentos literários e sessões de autógrafos.


“A Amazônia de Pssica”, com os escritores Marcos Valério Reis, Edyr Augusto Proença e Franssinete Florenzano, mergulhou na obra de Edyr Augusto, que, ao ganhar o mundo com a adaptação para o streaming, abriu portas para a literatura amazônica também no cinema. O ritmo veloz e impactante de Edyr – que é membro da Academia Paraense de Jornalismo – também é um fenômeno junto ao público adolescente, o que contribui em muito para o estímulo à leitura.


A palestra “Da Crise Literária na Virada do Século XX à Formação de Associações, Academias e Revistas Literárias na Amazônia Paraense”, com Marcos Valério Reis mostrando o protagonismo dos literatos parauaras, precursores do Modernismo brasileiro, atraiu grande público, principalmente de universitários e pesquisadores do tema.


Já a palestra “Moços & Poetas: Antonio Tavernard, Paulo Plínio Abreu, Mário Faustino e Max Martins”, de Benilton Cruz, autor de obra com o mesmo título, resgatou esses grandes artistas da palavra. Tavernard previu a morte no colo da mãe em um de seus poemas e morreu aos 27 anos, de hanseníase. Mário Faustino viu a sua “morte espacial que me ilumina” em um de seus poemas, antevendo o acidente aéreo em Lima, no Peru, aos 32 aos de idade. Paulo Plínio Abreu, no dizer de Benilton um argonauta, por tematizar a lírica história de Orfeu, e um “agonauta” da palavra, em sua luta a defender do mito como a “quilha” a sustentar a linguagem e não mais a poesia, que quanto mais lírica mais fragmentada se torna, restando da vida a “salsugem” da longa e errática viagem da existência. Max Martins, o “olhar transverso” na literatura brasileira. Benilton mapeou como a identidade estética parauara tem sido erguida com alguma inversão do que vem do exterior. No caso de Max, forçando brechas e caminhos novos, aproximando culturas diferentes.


O presidente da APL, Ivanildo Alves, palestrou sobre “Machado de Assis e Cândido Portinari: a relação entre a arte e a literatura”. Machado morreu em 1908, quando Portinari ainda era criança e obviamente nunca se conheceram pessoalmente. Mas houve um encontro através da arte, em épocas diferentes, evidenciando a possibilidade de diálogo entre diferentes linguagens artísticas. Ao produzir desenhos e ilustrações relacionados às obras machadianas, Portinari não se limitou a reproduzir visualmente as situações narradas pelo escritor. Suas imagens constituíram interpretações próprias do universo literário de Machado de Assis, observa Ivanildo Alves.


Na roda de conversa “Presença feminina na literatura parauara”, as escritoras Sarah Castelo Branco Rodrigues, Márcia Duailibe Forte, Franssinete Florenzano e Nazaré Mello discorreram sobre a invisibilidade histórica das mulheres, apesar de sempre pontuarem na literatura como musas inspiradoras, protagonistas e autoras fundamentais. Do Romantismo até o Realismo e a contemporaneidade, a escrita tem sido usada para expor chagas sociais como racismo, escravidão e misoginia. Mesmo quando impedidas de estudar ou publicar, mulheres romperam barreiras, utilizando a literatura para denunciar. A voz feminina é um fio condutor essencial que, ao longo dos séculos, teceu resistência.


Das quarenta cadeiras, apenas sete são ocupadas por mulheres na APL, que, ao longo de 126 anos, só admitiu 13 membros femininos. Fundada em 3 de maio de 1900, ainda não foi presidida por uma mulher. Porém, é pioneira entre suas congêneres, pois elegeu e empossou em 1913 a jornalista Guilly Furtado Bandeira, aos 23 anos, a segunda acadêmica do país. E atualmente, pela primeira vez na história, vozes femininas de liderança dão o tom na Academia.


Sob a coordenação geral do escritor Agildo Monteiro, que foi o campeão de vendas este ano no estande da APL, houve o lançamento do livro “O Rito do Sobrevivente, de Ernane Malato; “Moços & Poetas: Antônio Tavernard, Paulo Plínio Abreu, Mário Faustino e Max Martins”, de Benilton Cruz; e “História de Jesus e Maria, a difícil missão que lhes foi confiada”, de Flávio Quinderé.


Nazaré Mello encantou a petizada fazendo contação de histórias infantis e sessão de autógrafos de seus livros “Ari, o Gato”, “Lendas Amazônicas para crianças” e “Vamos conhecer nossos animais da Amazônia?”.

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