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Nesta quinta-feira, dia 3, às 18h, no estande da Academia Paraense de Letras, o acadêmico Benilton Cruz lança seu livro e faz a palestra “Moços & Poetas: Antônio Tavernard, Paulo Plínio Abreu, Mário Faustino e Max Martins”, sobre escritores que viveram a juventude em Belém do Pará, entre as décadas de 1920 a 1950.


O primeiro ensaio é sobre Antônio Tavernard, ligando o poeta à juventude, intensamente vivida sob o vigor da experiência vital menos romântica e mais consciente de uma poética plural e moderna. Seu nome é defendido dentro da noção de poesia relutante da forma, e metapoética, a que é convidativa e questionadora de sua linguagem.


O segundo ensaio trata de um tema muito importante na obra de Paulo Plínio Abreu: a órfica reconstituição de um mundo fragmentado que, todavia, aponta outra direção: o poeta não vai reunir um mundo despedaçado, como ainda se enxerga nas interpretações do mito de Orfeu feitas pelo austríaco Rainer Maria Rilke, crente da tarefa do poeta lírico como a de completar a obra divina e eternizar as coisas perecíveis.


O terceiro capítulo avalia a contribuição do romanceiro ibérico em Mário Faustino, redescobrindo as “vozes” medievais em um poema moderno. Trata-se de um dos mais musicais poemas da literatura parauara, o que leva nome de “Romance”, do autor de O Homem e sua Hora.


O quarto ensaio coloca em evidência Max Martins, que inverte atributos poéticos ocidentais e orientais, na troca proposital, o “olhar transverso” na literatura brasileira. Um dos pontos do livro foi mapear como a identidade estética parauara tem sido erguida com alguma inversão do que vem do exterior. No caso, de Max, o olhar transverso força brechas e caminhos novos, aproximando culturas e estéticas diferentes. O poeta de Não para Consolar cultiva palavras “não confiáveis”, expondo, sob a égide do Taoísmo, uma poesia “impura”: as cifras do sujo como substância do informe, o não delineado, como parte de sua poesia.


O livro de Benilton está à venda nos estandes da APL e da Amalep, que ele preside.

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