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Na reta decisiva da Copa do Mundo de 2026, as oitavas de final seguem definindo os protagonistas da luta pelo título. A segunda-feira (6) reservou dois confrontos de grande expectativa e confirmou o favoritismo de seleções tradicionais. Em Arlington, a Espanha derrotou Portugal por 1 a 0 em um clássico decidido apenas nos acréscimos. Horas depois, em Seattle, a Bélgica dominou completamente os Estados Unidos e venceu por 4 a 1, garantindo presença nas quartas de final. Os resultados também definiram um dos confrontos mais aguardados da próxima fase: espanhóis e belgas disputarão uma vaga nas semifinais. 

No AT&T Stadium, Espanha e Portugal protagonizaram um duelo equilibrado durante praticamente toda a partida. A seleção espanhola controlou a posse de bola, buscou construir as jogadas com paciência e manteve sua tradicional organização tática, enquanto os portugueses apostavam na velocidade das transições e na experiência de seus principais jogadores. Quando o empate parecia inevitável, aos 45 minutos do segundo tempo, Ferran Torres encontrou Mikel Merino infiltrando entre os zagueiros. O meio-campista finalizou na saída de Diogo Costa e decretou a vitória por 1 a 0, classificando a Fúria para as quartas de final. 

O resultado teve um significado que ultrapassa a classificação espanhola. Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo disputou sua última partida em Copas do Mundo, encerrando uma trajetória iniciada em 2006 e marcada por recordes, gols e protagonismo internacional. Mesmo sem conseguir decidir o clássico ibérico, o camisa 7 deixa um legado evidente na para a Copa do Mundo. Ele deve seguir sua carreira em clubes e, também, em alguns jogos pela seleção portuguesa.

Do outro lado, a Espanha reafirmou o modelo coletivo construído por Luis de la Fuente. A equipe voltou a mostrar intensidade, organização e profundidade de elenco, características que a transformam em uma das principais candidatas ao título mundial. 

No Lumen Field, a Bélgica confirmou sua superioridade técnica diante dos Estados Unidos e venceu por 4 a 1. Os “Diabos Vermelhos” dominaram a partida desde os minutos iniciais e abriram vantagem ainda no primeiro tempo. Charles De Ketelaere marcou duas vezes, Hans Vanaken ampliou após uma falha do goleiro Matt Freese na saída de bola, e Romelu Lukaku fechou a goleada. Os norte-americanos ainda descontaram, mas não conseguiram equilibrar o confronto, em nenhum momento,diante da intensidade belga. 

A partida também carregava um ambiente extracampo bastante conturbado. A escalação de Folarin Balogun ocorreu após uma polêmica revisão de sua suspensão, decisão que provocou críticas e questionamentos antes mesmo do apito inicial. Dentro das quatro linhas, porém, a discussão perdeu espaço para o desempenho da Bélgica, que neutralizou completamente os anfitriões e eliminou o último país-sede ainda vivo no torneio. 

Os jogos desta segunda-feira evidenciaram que, no futebol contemporâneo, os projetos esportivos mais sólidos tendem a prevalecer nos momentos decisivos. A despedida de CR7 das Copas do Mundo simboliza o encerramento de uma das trajetórias mais marcantes da história do esporte, enquanto Espanha e Bélgica avançam sustentadas por modelos de jogo coletivo, intensidade física e rigor tático. 

Em uma competição cada vez mais equilibrada, o talento individual continua sendo um diferencial, mas somente alcança seu máximo potencial quando integrado a equipes organizadas, capazes de transformar qualidade técnica em desempenho coletivo.

Imagem em destaque: caricatura digital gerada por IA de Cristiano Ronaldo.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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