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Tecnologias para aproveitar cupuaçu, buriti e camu-camu já circulam entre laboratórios de cinco países amazônicos, e essa troca passa agora a ter respaldo formal. Assinaram um memorando de entendimento que consolida a Rede Bioamazonia o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, o Instituto Amazónico de Investigaciones Científicas (Sinchi), o Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt, o Instituto de Investigaciones de la Amazonía Peruana (IIAP), o Instituto Nacional de Biodiversidad del Ecuador (Inabio) e o Instituto de Ecología da Universidad Mayor de San Andrés (IE-Umsa), sediados na Bolívia, no Brasil, na Colômbia, no Equador e no Peru. A assinatura foi divulgada nesta terça-feira (8).

Criada em 2024 e sustentada até aqui por acordos pontuais, a rede nasceu com apoio técnico e financeiro do Programa Amazônia Sempre, do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID), voltado ao intercâmbio científico, à mobilidade de pesquisadoras e ao desenvolvimento de projetos conjuntos.

A frente mais concreta da cooperação está nos projetos de transferência de tecnologia ligados à bioeconomia. O que é desenvolvido em um instituto pode ser repassado a outro território, onde equipes locais trabalham com produtoras, associações, comunidades e pequenas empresas para adaptar o método às condições de cada lugar.

São processos gerados na pesquisa científica que permitem investigar e processar frutos e plantas da floresta para chegar a produtos de maior valor agregado. Do cupuaçu sai manteiga; do buriti, corante e óleo. Ambos abastecem a indústria cosmética na fabricação de cremes, hidratantes e sabonetes. A aposta é que alternativas econômicas sustentáveis ajudem a manter a floresta em pé e melhorem a renda de quem depende desses recursos.

Para 2026 está previsto um curso sobre espectroscopia NIR (Near-Infrared) aplicada ao reconhecimento da biodiversidade, destinado a pesquisadoras dos institutos-membros. A programação inclui fundamentos teóricos, uso dos principais equipamentos e programas de análise e exercícios práticos com espectrômetro portátil de baixo custo, com foco em desenhar coletas espectrais, organizar dados e aplicar ferramentas estatísticas na identificação de organismos.

Outro curso, de Manejo Integrado do Fogo, foi realizado em parceria com o Icraf-Cifor e reuniu pesquisadoras, instituições públicas, organizações sociais, povos indígenas e comunidades locais. A rede também integra a Aliança Águas Amazônicas, iniciativa dedicada ao estudo e à conservação dos ecossistemas aquáticos da região.

O documento assinado prevê pesquisa conjunta, intercâmbio de pesquisadoras e de pessoal técnico, capacitação, transferência de conhecimento e tecnologias, produção de subsídios para políticas públicas e a criação de um comitê de acompanhamento com representantes das oito instituições, responsável por planejar e monitorar as atividades.

Na prática, o memorando dá previsibilidade ao que vinha sendo feito caso a caso. Com ele, os institutos passam a ter uma base comum para apresentar projetos regionais, disputar financiamento, dividir infraestrutura e conhecimento especializado e ampliar a escala de pesquisas que, feitas isoladamente, alcançariam menos.

A extensão da Pan-Amazônia ajuda a explicar por que a articulação importa. Coexistem grandes cidades e pequenos núcleos populacionais, florestas e ecossistemas variados, territórios indígenas e áreas de transformação produtiva intensa, além de diferenças de idioma, de sistemas de pesquisa e de capacidade técnica entre os países. Fenômenos como a mobilidade de espécies, as ameaças à biodiversidade e os impactos ambientais atravessam fronteiras e dificilmente são compreendidos a partir de um único ponto de observação.

As instituições da rede mantêm presença contínua no território e trabalham com comunidades locais, povos indígenas, governos e organizações sociais, o que aproxima o conhecimento científico dos saberes ancestrais e das experiências de ciência participativa.

Na semana passada, a Rede Bioamazonia iniciou a campanha “A Amazônia se pesquisa em rede”, divulgada nos canais da articulação e dos institutos-membros, para apresentar quem a compõe e o que está sendo pesquisado.

Com informações da Agência Goeldi.

Foto em destaque: Rede Bioamazônia

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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