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A Associação de Críticos de Cinema do Pará realiza, nesta quinta-feira, 10, mais uma Sessão Cult Debate, com a exibição do filme Eu, Tu, Ele e Ela (Je, tu, il, elle, 1974), da cineasta belga Chantal Akerman, no Cine Líbero Luxardo, após a sessão das 19h.


Considerado um dos filmes fundamentais da primeira fase da trajetória de Chantal Akerman, Eu, Tu, Ele e Ela acompanha Julie, personagem interpretada pela própria diretora, uma jovem mulher que se impõe um período de isolamento dentro de casa. Durante esse tempo, ela passa os dias reorganizando os móveis, pintando as paredes e escrevendo em seu diário.


Depois de permanecer por um longo período em solidão, Julie decide deixar o apartamento e partir para um destino desconhecido. No caminho, aceita uma carona de um caminhoneiro, interpretado por Niels Arestrup, com quem estabelece uma relação íntima durante a viagem. Depois, Julie procura uma antiga namorada, interpretada por Claire Wauthion. Esses encontros revelam conflitos e tensões que contrastam profundamente com a vida de isolamento que a personagem havia escolhido.


Com narrativa marcada pela introspecção, pelo silêncio e pela exploração do tempo e do espaço, Eu, Tu, Ele e Ela evidencia algumas das características que se tornariam fundamentais no cinema de Chantal Akerman, como a investigação da intimidade, da solidão, do desejo e da experiência feminina.


A Sessão Cult Debate da ACCPA é uma oportunidade para o público assistir a uma obra relevante da história do cinema e, em seguida, participar de reflexão sobre sua linguagem, seus temas e sua importância para o cinema moderno e contemporâneo.


Chantal Akerman (1950–2015) foi uma cineasta, roteirista, artista visual e escritora belga, considerada uma das realizadoras mais importantes do cinema moderno e experimental. Seu trabalho é marcado pela exploração do tempo, da solidão, da intimidade, do desejo, da memória e da experiência feminina, frequentemente utilizando planos longos, silêncios, repetição e uma observação minuciosa do cotidiano.


Filha de sobreviventes do Holocausto, Akerman também incorporou em sua obra questões relacionadas à memória, deslocamento e identidade. Seu filme mais célebre, Jeanne Dielman, 23 quai du Commerce, 1080 Bruxelles (1975), tornou-se uma referência do cinema feminista e de vanguarda e é reconhecido como uma das grandes obras da história do cinema.


Entre seus filmes estão Saute ma ville (1968), Eu, Tu, Ele e Ela (1974), Jeanne Dielman (1975), News from Home (1977), Les Rendez-vous d’Anna (1978), Toute une nuit (1982), Histoires d’Amérique (1989), La Captive (2000) e No Home Movie (2015), seu último longa-metragem.


Akerman transformou o cotidiano em matéria cinematográfica, questionando as formas tradicionais de narrar, representar o corpo e experimentar o tempo no cinema. Sua influência permanece particularmente forte no cinema independente, experimental e realizado por mulheres.


Serviço


Sessão Cult Debate – ACCPA
Filme: Eu, Tu, Ele e Ela (1974), de Chantal Akerman
Data: 10 de setembro (quinta-feira)
Local: Cine Líbero Luxardo
Horário: após a sessão das 19h (venda de ingressos normal na bilheteria)

Zélia Amador de Deus, referência da luta antirracista, ancestralizou

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