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Um homem indefeso foi brutalmente agredido na noite da quarta-feira passada, 22, na Av. Rui Barbosa, bairro da Aldeia, em Santarém do Pará, por um policial militar lotado no 3º BPM, que saiu de um veículo para espancar até quase a morte a pessoa sentada na calçada. As cenas de extrema crueldade foram registradas por câmeras de segurança.


A vítima sofreu fraturas nos dois braços e trauma na cabeça e está internada em estado estável no Hospital Municipal de Santarém, aguardando neurocirurgia. A Corregedoria da PMPA abriu procedimento administrativo, enquanto a Polícia Civil investiga o crime, mas o policial militar não foi preso até agora.


O episódio escancara uma contradição profunda e alarmante: o agente treinado e pago pelo Estado para proteger o cidadão figura como autor de violência estarrecedora. Quando um policial protagoniza atos de selvageria em via pública, a confiança da sociedade na corporação é gravemente abalada. A função da polícia é garantir a ordem constitucional e agir rigorosamente dentro dos limites da lei.


A ocorrência recorrente de explosões de violência por parte de agentes estaduais evidencia a necessidade de aprimorar os critérios de seleção, a formação continuada em Direitos Humanos e, sobretudo, o acompanhamento psicológico periódico dos policiais, que são submetidos diariamente a situações de muita tensão, arriscam suas vidas e precisam dessa retaguarda.


A abertura de procedimento administrativo pela Corregedoria da PM e o inquérito da Polícia Civil são passos essenciais, mas têm que resultar em respostas rápidas, transparentes e exemplares. A severidade na apuração de desvios internos é o único caminho para preservar a credibilidade das instituições e combater a escalada de violência cometida por quem deveria coibi-la.


A permanência em liberdade do agressor reforça na sociedade a percepção de corporativismo. A lentidão ou brandura em punir atua como incentivo para a reincidência de atos abomináveis.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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