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Com respeito quero agora
Um grande Padre homenagear,
Eutíquio Pereira da Rocha,
Sua história vou contar:
Sacerdote e político,
Um maçom exemplar.


Em 1820,
Na Bahia ele nasceu,
Filho de Dona Joaquina,
Na fé logo floresceu;
Queria tornar-se padre,
E esse sonho não perdeu.


E assim Padre Eutíquio
Ao sacerdócio se consagrou,
Mandado então para Belém,
Em 1850 aqui chegou;
No ensino eclesiástico,
No Seminário lecionou.


Também naquele período,
Um marco em sua biografia:
Conheceu a verdadeira Luz
Na sublime Loja Harmonia;
Tornando-se, desse modo,
Um membro da Maçonaria.


Em Belém foi eleito
Quatro vezes Vereador,
Sendo um político atuante
E do povo defensor;
Das camadas mais humildes,
Do pobre trabalhador.


No jornal O Pelicano,
Publicava sua opinião:
Queria que o próprio Clero
Tivesse cristã atuação;
Defendia um Estado laico,
Sem impor religião.


Como negro que era,
Combateu a escravidão;
Junto à Loja Harmonia,
Abraçou nobre missão:
Patrocinavam alforrias,
Concedendo libertação.


Criticava com veemência
Em seus textos registrava
O tratamento odioso
Que a Igreja dispensava
Que nem em cemitério público
Um Maçom enterrava


Dom Antônio de Macedo Costa,
Bispo ultramontano,
Com postura intolerante
E tratamento desumano,
Insultava Padre Eutíquio
Chamando-o “Cônego Africano”.


A postura de Eutíquio
Desagradou muita gente;
O alto escalão da Igreja
Mostrou-se logo descontente,
Pois considerava o Padre
Um religioso insolente.


Com a Questão Religiosa,
Dom Macedo exigiria
Uma escolha ao sacerdote:
Que deixasse a Maçonaria.
Mas Eutíquio, fiel à Ordem,
Jamais a abandonaria.


Por isso ficou proibido
De seu sacerdócio exercer;
E assim, até sua morte,
Não mais pôde oferecer
Aquilo que tanto amava
E lhe dava tanto prazer.


Em 1880,
Eutíquio enfim nos deixou;
Um ícone da Maçonaria
Merecidamente se tornou.
Até seu último momento,
A nossa Ordem ele honrou.


Em 1946,
Uma homenagem lhe foi prestada:
Seus veneráveis restos mortais,
Em cerimônia consagrada,
Foram trazidos para sua Loja,
Onde têm eterna morada.


Por isso registro aqui
Esta histórica passagem;
A Padre Eutíquio da Rocha
Dedico minha homenagem,
A esse valoroso homem de Deus,
Maçom de fé e de coragem.


Márcio Cavalcante
Márcio Adriano da Costa Cavalcante é delegado de Polícia Civil com especialização em Direito Penal, Processo Penal e Segurança Pública, Venerável Mestre da Loja Harmonia n° 8, Grau 33 do Supremo Conselho do Grau 33 do REAA da Maçonaria para a República Federativa do Brasil, poeta, membro da Academia Maçônica de Letras do Estado do Pará; autor das antologias poéticas Versos para a Liberdade, da Editora Paka-Tatu; e Liversos, da Editora Aludel; além dos ensaios "A cadeia de união" publicado no livro Estudos Maçônicos II, e "A Simbologia da Lâmpada Mística" no livro Estudos Maçônicos III, ambos da Aludel.

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