Publicado em: 19 de julho de 2026
Vicente José Malheiros da Fonseca
Escrevi alguns textos sobre a Filarmônica, como o artigo “FILARMÔNICA MUNICIPAL PROF. JOSÉ AGOSTINHO – 50 ANOS”, elaborado especialmente para ser publicado na Revista-Programa da Festa de N. S. da Conceição, de Santarém (PA), em 2013, que foi revisto na época das comemorações alusivas aos 50 anos da Filarmônica, homenageada em sessão especial da Câmara Municipal de Santarém, em outubro daquele ano.
De fato, em 4 de setembro de 1963, no Cine Teatro “Cristo-Rei”, na “Pérola do Tapajós”’, foi realizada a solenidade de inauguração oficial e a apresentação da “Banda Professor José Agostinho”, sob a direção dos irmãos Wilson (Isoca) e Wilde (Dororó) Fonseca, com a colaboração dos sargentos do Exército João de Deus Damasceno e Raimundo Bittencourt, do Tiro de Guerra 190, e apoio de Everaldo Martins, Prefeito Municipal de Santarém. O conjunto era integrado por 30 figuras.
Neste ano de 2026, a Filarmônica participa dos eventos que integram a 21ª Conferência da World Association for Symphonic Bands and Ensembles – Associação Mundial de Bandas e Conjuntos Sinfônicos (WASBE 2026), no Rio de Janeiro, com 40 músicos, sob a regência dos Maestros Rafael Macedo Brito e João Paulo Fonseca
A Conferência WASBE é um festival único de música sinfônica de sopros, reunindo as melhores bandas, grupos, regentes, músicos e especialistas de todo o mundo. Há mais de quatro décadas, este evento bienal percorre centros culturais promovendo o intercâmbio artístico e a inovação na música de sopros. Em 2026, a Conferência WASBE chega à cidade do Rio de Janeiro, um lugar onde a música não é apenas uma forma de arte, mas um elemento definidor de sua identidade.
Esta é uma edição histórica por ser a primeira vez que o maior evento de bandas sinfônicas do mundo é realizado na América do Sul.
Organizada em parceria com a Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Fundação Nacional de Artes (FUNARTE), a conferência transforma a capital fluminense no epicentro global da música de sopros e percussão, reunindo maestros, compositores e músicos de mais de 40 países.
As apresentações e painéis ocupam pontos históricos e culturais do Centro do Rio de Janeiro: Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles, Palácio Gustavo Capanema, Escola de Música da UFRJ (Salão Leopoldo Miguez), além de Concertos na Ilha Fiscal, Igreja de São Francisco de Paula e apresentações ao ar livre na Cinelândia e no Passeio Público.
O festival combina uma agenda acadêmica restrita a inscritos com mais de 40 concertos gratuitos ou a preços populares para o público geral:
O Fringe Festival na 21ª Conferência Internacional da WASBE 2026 no Rio de Janeiro será um circuito musical exclusivo intitulado “Por Todas as Bandas do Brasil”. Realizado de 20 a 26 de julho de 2026, ele funcionará como uma mostra paralela e aberta integrada à conferência principal, levando apresentações gratuitas de bandas sinfônicas, marciais, fanfarras e grupos de sopro a diversos espaços públicos e monumentos históricos da capital carioca.
O festival tem como objetivo aproximar a comunidade do maior evento de bandas sinfônicas do mundo através da ocupação urbana e do acesso democrático à arte.
O circuito espalha a música de sopros e percussão pelo centro e pontos icônicos do Rio de Janeiro: Passeio Público e Cinelândia (palcos abertos integrando música e o dia a dia da cidade); Pilotis do Palácio Gustavo Capanema (espaço modernista recebendo exibições gratuitas); Ilha Fiscal (cenário histórico que abriga concertos especiais de abertura, como o do Grupo de Metais e Percussão da Orquestra Petrobrás Sinfônica); e Igreja da Ordem de São Francisco de Paula (acústica sacra utilizada por grupos convidados).
O concerto da Filarmônica Municipal Professor José Agostinho no circuito Fringe da WASBE 2026 será realizado no Rio de Janeiro no dia 22 de julho de 2026, às 12:00 (meio-dia).
O concerto acontecerá no Salão Leopoldo Miguez, localizado dentro da Escola de Música da UFRJ, no bairro da Lapa, Rio de Janeiro. O espaço é um dos palcos oficiais integrados à agenda da 21ª Conferência Internacional da WASBE 2026.
O grupo paraense é a única banda sinfônica selecionada para representar a Região Norte no festival, figurando em um grupo restrito de apenas seis bandas escolhidas em todo o território nacional.
A Filarmônica levará ao palco carioca a identidade musical e a sonoridade da Amazônia para um público internacional composto por maestros, compositores e educadores do mundo inteiro.
O repertório do concerto da Filarmônica Municipal Professor José Agostinho no circuito Fringe da WASBE 2026 ganha uma dimensão muito mais profunda. Em vez de focar apenas no aspecto folclórico geral, a apresentação celebrará com destaque a linhagem musical da família Fonseca, uma dinastia de compositores que moldou e preservou a identidade sonora de Santarém, no Pará. Confira: https://wasbe2026.com/pt/sessions/filarmonica-municipal-professor-jose-agostinho-santarem-pa/
Sob a regência do Maestro Rafael Brito, a programação do projeto “Concerto Rio 2026” será estruturada através das seguintes obras cronológicas:
Três Gerações da Família Fonseca
1ª Geração — José Agostinho da Fonseca (1886–1945): O concerto homenageia o pioneiro e patrono da filarmônica com a execução do maxixe “Almofadinha” (letra: Felisbelo Sussuarana, da revista teatral “Eu Vou Telegrafar”), resgatando as origens das primeiras bandas de música de Santarém.
2ª Geração — Wilson Fonseca (Maestro Isoca, 1912–2002): A segunda geração é representada por duas das obras mais emblemáticas do renomado compositor paraense: o clássico Dobrado “17 de Novembro” e a imponente “Fantasia sobre a Lenda do Boto”, que transpõe o imaginário e a sedução do folclore amazônico para a complexidade sinfônica.
3ª Geração — Vicente Fonseca: Mantendo o legado vivo e ativo na contemporaneidade, o concerto traz a marcha-rancho “Praça da Matriz” (letra: Emir Bemerguy), composição de Vicente que evoca o lirismo, a memória e o cotidiano das praças tradicionais da cidade de Santarém
Outras peças incluídas no repertório do concerto da Filarmônica, no Rio de Janeiro:
1) “Curió do Bico Doce” – Carimbó, de Gonzaga Blantez (1973). Arranjo para Banda Sinfônica: Rafael Macedo Brito.
2) “Garantido e Caprichoso Vermelho” – Toada, de Chico da Silva, do Boi Garantido. Ritmo Quente, toada de Alex Pontes e Mailzon Mendes, do Boi Caprichoso. Arranjo para Banda Sinfônica: Rafael Macedo Brito.
3) “Igapó”, obra de Sebastião Tapajós (1942-2021). Arranjo para Banda Sinfônica: Rafael Macedo Brito. Solista: Henrique Andresson (violão).
4) “Ao Pôr do Sol” – Brega paraense, de Firmo Cardoso e Dino Souza. Arranjo para Banda Sinfônica: Amílcar Pimenta Gomes.
5) “Lambada pra Dançar” – Merengue, de Teixeira de Manaus (1944–2024). Arranjo para Banda Sinfônica: Rafael Macedo Brito. Solista: Lucas Ibi Pedroso (Saxofone-Alto).
6) “Pot-Pourri de Carimbós” (Lua Luar/Canto de Atravessar) Lua Luar, Carimbó de Mestre Lucindo (1908–1988). Canto de Atravessar de Marcio Montoril e Jorge Pimentel. Arranjo para Banda Sinfônica: Rafael Macedo Brito e Marcos Dezincourt.
A Filarmônica Municipal Professor José Agostinho, uma instituição patrimonial e histórica de Santarém, foi fundada há mais de 60 anos, com o nome original de “Banda Professor José Agostinho”, em 1963, pelos irmãos Wilson Fonseca (Maestro Isoca) e Wilde Fonseca (Maestro Dororó).
A Filarmônica não leva apenas música ao Rio de Janeiro, mas sim a bagagem de uma das maiores dinastias musicais do Brasil — a família Fonseca, oriunda de Santarém —, que há cinco gerações molda a identidade sonora da Amazônia através das composições e da regência dos eternos Maestros Isoca (Wilson Fonseca) e Dororó (Wilde Fonseca), irmãos, já falecidos.
Na juventude, eu e meus irmãos José Wilson e José Agostinho Neto participamos da Banda Professor José Agostinho, nosso avô paterno, que dá nome ao grupo, o pioneiro da tradição musical de nossa família Fonseca, que atualmente se encontra na quinta geração. Dois de meus primos, filhos do tio e padrinho Dororó (Wilde Fonseca) – José Wilde (Saxofone-Alto) e João Paulo (Clarinete e Regência) – integram a Filarmônica.
Lembro-me de que, já magistrado trabalhista, atuei ao lado de pessoas muito simples, operários, carpinteiro, feirante, tratorista, alfaiate, pedreiro. Mas ali não estávamos investidos em cargo público de elevada hierarquia e, sim, como integrantes de uma banda de música, cada qual com o seu instrumento musical, no mesmo nível, sob a batuta do maestro (meu pai Wilson Fonseca ou meu tio Wilde Fonseca). Igualmente se pode dizer dos corais que eles dirigiram. Banda e Coral funcionavam como um “conservatório popular”.
Atualmente, Santarém que, há muitos anos, desfruta de reconhecida tradição musical, na Região Amazônica, conta com vários cursos e escolas de música, dança, teatro e outras artes, como a Academia de Música Professor Wilde Fonseca e o Instituto Maestro Wilson Fonseca, este sob a direção de meu irmão, Maestro José Agostinho da Fonseca Neto.
Que a turnê da Filarmônica Municipal Professor José Agostinho no Rio de Janeiro, na WASBE 2026, seja coroada de sucesso!
Merece registro que o Instituto Maestro Wilson Fonseca, de Santarém (PA), recebeu do Coordenador de Ópera e Música de Concerto, do Centro da Música (CEMUS)/FUNARTE/MinC, Sr. Deivison Branco, violinista na Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense (OSN-UFF), um convite para o Lançamento da Plataforma Banco de Partituras Brasileiras, uma iniciativa voltada à preservação, organização e difusão do patrimônio musical brasileiro.
Segundo o convite enviado ao IMWF, “o Banco de Partituras Brasileiras Online foi desenvolvido para ampliar o acesso ao repertório musical nacional, reunindo em um catálogo digital partituras de compositores de diferentes épocas, gêneros e estilos. A plataforma disponibiliza obras acompanhadas de informações técnicas e musicológicas, oferecendo suporte a intérpretes, pesquisadores, regentes, estudantes e demais profissionais da música”.
O evento é parte da programação da 21ª WASBE Rio 2026, anteriormente mencionada, e o ocorre no dia 22 de julho de 2026, das 9h30 às 11h30, no Auditório Gilberto Freyre – Palácio Gustavo Capanema, Rua da Imprensa 16, Centro – Rio de Janeiro – RJ.
É oportuno consignar, ainda, que eu recebi um pedido, encaminhado pela Professora e Pianista Desirée Duwe de Castro, de Porto Velho (RO), para remeter-lhe uma listagem com o nome e ano de composições musicais de minha autoria e de meu pai (Wilson Fonseca).
A Professora Desirée Castro informa que o “Projeto de Pesquisa da Universidade Federal de Rondônia pretende mapear as obras de compositores para piano solo e piano na música de câmara, da Região Norte. O objetivo é identificar os compositores, suas músicas e o ano de composição, e futuramente termos um banco de partituras com mecanismos de busca, facilitando o acesso aos alunos e intérpretes, divulgando a música da nossa região. A pesquisa está sendo coordenada pelo professor Doutor Jonathan Taylor de Oliveira, da Universidade Federal de Rondônia”.
Elaborei e encaminhei à Professora Desirée uma relação de músicas de minha lavra, para Piano solo e para Piano na Música de Câmara.
Esclareci que meu avô paterno, José Agostinho da Fonseca, além de meu genitor, escreveram peças para idêntica formação instrumental.
Diversas obras musicais de meu avô estão disponíveis no acervo de catálogo de partituras da Casa do Choro, no seguinte link:
https://acervo.casadochoro.com.br/works?card_id=489
Algumas músicas que compus constam de meu resumo biográfico no Portal do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região:
https://www.trt8.jus.br/estrutura-do-tribunal/desembargador/vicente-jose-malheiros-da-fonseca-aposentado
E sobre meu genitor Wilson Fonseca, há informações na Wikipédia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Wilson_Fonseca
A Professora Desirée Duwe de Castro esclareceu que os pesquisadores têm “um objetivo a longo prazo, que é desenvolver um site com as informações da pesquisa, e, com a autorização dos compositores, um link para as partituras. Esses próximos passos estão em desenvolvimento, e, assim que possível, voltaremos a conversar sobre os documentos legais de autorização. No momento, agradecemos muitíssimo por ter contribuído com a nossa pesquisa, e seu nome constará nos documentos como colaborador”. No mesmo expediente, a pianista assinalou que a valsa “Lira Iluminada” (Valsa Santarena nº 51), que dediquei a meu pai, em 2002, será apresentada, em breve, na Universidade Federal de Rondônia, na versão para Violino e Piano.
A música santarena continua brilhando no cenário nacional!










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