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A convenção do MDB na Arena Guilherme Paraense, o Mangueirinho, que tem capacidade para doze mil pessoas, estava superlotada de prefeitos e prefeitas, deputadas e deputados e, claro, candidatos e militantes de todos os partidos de apoio à governadora do Estado do Pará. O presidente do União Brasil e presidente da Alepa, deputado Chicão, foi o aliado mais prestigiado. Teve lugar especial e foi o único a falar, ao lado de Hana e Helder. Às 16h já não cabia mais ninguém e os portões foram fechados. Uma multidão ficou do lado de fora, assistindo por telão. Mas a única novidade do evento acabou não sendo revelada: quem será vice na chapa da governadora Hana Ghassan. Mais 72 horas? Ou vão esticar até o dia 15 de agosto, prazo máximo para entregar as atas com os registros de candidaturas ao TSE?


Pelo andar da carruagem a decisão só será divulgada na última hora do prazo fatal, o que deixa o PT – e o deputado Dirceu Ten Caten – em péssima situação. Humilhante, porque desde novembro do ano passado ele foi lançado e referendado em eventos do partido, tendo o presidente petista estadual, senador Beto Faro, na ocasião, inclusive, anunciado que se não fosse assim o PT lançaria candidatura própria. Beto Faro e a deputada federal Dilvanda Faro estavam no Mangueirinho, hoje, e fizeram cara de paisagem ante o silêncio quanto à vaga.


O quiprocó é sério. Afinal, o presidente Lula precisa de palanque no Pará. Por outro lado, o MDB nacional lavou as mãos e deixou que os caciques de cada estado decidam quanto aos arranjos políticos locais. As pesquisas eleitorais têm sinalizado empate técnico entre Hana e Dr. Daniel. Ambos precisam de vices que façam a diferença, arrebanhando votos onde há lacunas. A poderosa Comieadepa, que congrega os evangélicos da Assembleia de Deus, quer alguém seu; e a Fiepa e Faepa também indicaram – e inclusive reiteraram – que desejam um representante do setor produtivo. São grupos fortes, organizados e desde sempre alinhados com o ex-governador Helder Barbalho e com a governadora Hana, que tem participado ativamente de eventos evangélicos e prestigiado o agronegócio, a ponto de criar uma delegacia especializada em roubo de gado. Porém, ninguém ignora que se forem preteridos poderão debandar para o lado oposto e virar de modo negativo o fiel da balança.


É uma equação delicada que, se mal resolvida, comprometerá a engenharia política construída com anos de antecedência. Obviamente serão oferecidas compensações. Mas o risco existe. E até o dia 15 de agosto muita gente não vai dormir.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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