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A tradicional Barraca do Carimbó no Bosque da Igualdade, em Curuçá (PA), foi incendiada na madrugada de ontem (25). A prefeitura afirmou se tratar de “ato criminoso” e que as autoridades competentes já foram acionadas para apurar as circunstâncias e identificar a autoria. O local também sediava o Festival do Folclore, símbolo da cultura, da história e das tradições do município.


O incêndio é mais do que ato de vandalismo contra um espaço físico: trata-se de ataque direto à memória, à identidade e à resistência cultural do povo parauara.


Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan desde 2014, o Carimbó é uma manifestação viva da ancestralidade indígena, negra e portuguesa na Amazônia. Lugares como a Barraca do Carimbó funcionam como territórios de salvaguarda física e comunitária, onde o saber é transmitido de geração em geração.


A chancela de “patrimônio cultural” muitas vezes permanece no papel ou fica restrita à exaltação turística. O episódio deixa claro que o reconhecimento oficial é inútil sem a garantia de segurança física e infraestrutura básica. Se um local simbólico para a cultura regional é vulnerável a ponto de ser incendiado na calada da noite, o sistema de vigilância e proteção dos bens patrimoniais está falhando gravemente.


Mecanismos de salvaguarda não podem se limitar a registros históricos e festivais anuais. É indispensável proteção preventiva e ostensiva para territórios e equipamentos culturais, compromisso do poder público em investigar o crime e recriar o ambiente com a participação ativa da população, além de trabalho contínuo nas escolas e comunidades a fim de reforçar o sentimento de pertencimento e coibir o preconceito e o descaso com a cultura popular.


Repudiar o ato criminoso cabe à sociedade. Reerguer a edificação e punir os responsáveis com rigor é dever do Estado para que a cultura de Curuçá continue viva e pulsante.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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