0
 

Mais de 67 toneladas de drogas, 639 armas de fogo e 26,8 mil munições foram retiradas de circulação nas três primeiras semanas do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, estratégia federal lançada em maio para enfrentar facções criminosas em todo o país. O balanço divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública aponta ainda a realização de 473 prisões e a apreensão de 1.013 veículos em operações integradas conduzidas por forças federais, estaduais e municipais.

Os resultados são fruto de 11 operações coordenadas desde o lançamento do programa, em 12 de maio. Nesse período, 9.204 profissionais de segurança pública participaram das ações, que têm como foco desarticular estruturas financeiras, logísticas e operacionais utilizadas por organizações criminosas.

O programa concentra esforços na Amazônia, em sete áreas prioritárias distribuídas por 42 municípios localizados em seis estados: Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Paraná. A ampliação da presença federal acontece em paralelo ao fortalecimento das operações de fronteira, que atualmente alcançam as 27 unidades da Federação. No ano passado, essas ações estavam restritas a apenas sete estados.

Com previsão de investimento de R$ 11,1 bilhões, a estratégia federal foi estruturada em quatro frentes consideradas centrais para o combate ao crime organizado: enfraquecimento financeiro das facções, recuperação do controle do sistema prisional, aperfeiçoamento das investigações de homicídios e enfrentamento ao tráfico ilegal de armas, munições e explosivos.

Os primeiros números também apontam impacto econômico significativo sobre as organizações criminosas. Segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), os R$ 30,4 milhões empregados nas operações resultaram em prejuízo estimado de R$ 361,3 milhões ao crime organizado. O montante representa quase R$ 12 em perdas para as facções a cada R$ 1 investido pelo poder público e supera em 251% a meta prevista para os primeiros 90 dias do programa.

No acumulado de abril e maio, as ações coordenadas pela Senasp e pela Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência resultaram em 2.182 prisões em flagrante. As operações Narke e Renocrim também obtiveram decisões judiciais que bloquearam R$ 436 milhões em ativos ligados a atividades criminosas. Sem considerar o valor das drogas apreendidas, o prejuízo financeiro causado às organizações chegou a R$ 223,54 milhões.

Outro eixo da estratégia tem como alvo a atuação de facções dentro das unidades prisionais. Na 11ª fase da Operação Mute, 4.042 policiais penais realizaram revistas em 124 presídios do país. Foram inspecionadas 3.728 celas e apreendidos 680 aparelhos celulares, frequentemente utilizados por lideranças criminosas para transmitir ordens a integrantes fora das prisões. Desde o início da operação, em 2023, já foram recolhidos 8.646 celulares em estabelecimentos penais brasileiros.

Os dados da Polícia Federal também integram o balanço apresentado pelo governo. Somente em abril, a corporação homologou 128 operações, efetuou 849 prisões em flagrante e realizou 1.371 capturas por meio dos Grupos de Capturas. No mesmo período, foram cumpridos 295 mandados de busca e apreensão. As ações resultaram na retirada de circulação de 160 armas, 4.563 munições, 5,6 toneladas de cocaína e 20,9 toneladas de maconha, além de provocar descapitalização estimada em R$ 272 milhões para grupos criminosos.

O programa brasileiro também incorpora ações de cooperação internacional. Em Assunção, no Paraguai, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, reuniu-se com o secretário nacional antidrogas paraguaio, Jalil Rachid, para discutir medidas conjuntas de combate ao tráfico de drogas e armas nas regiões de fronteira. Um dos principais exemplos dessa cooperação é a Operação Nova Aliança, realizada em parceria entre autoridades paraguaias e a Polícia Federal brasileira desde 2012. Ao longo desse período, a iniciativa resultou na destruição de 1.218 acampamentos de cultivo de maconha, na eliminação de 11,2 milhões de quilos da droga e em prejuízo estimado de R$ 1,6 bilhão às organizações criminosas.

A agenda internacional também levou o governo brasileiro às reuniões de ministros da Justiça e da Segurança do Mercosul. Durante os encontros, Wellington Lima apresentou o Programa Brasil Contra o Crime Organizado como contribuição do país para o fortalecimento da segurança regional. Segundo o ministro, “Quanto mais forte a capacidade de cada Estado-Parte, mais resiliente será nossa região frente às ameaças comuns”.

Foto em destaque: Divulgação / MJSP

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

Todos por Marinaldo Santos

Anterior

Você pode gostar

Mais de Notícias

Comentários