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Três trilhas guiadas acontecerão no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) na manhã deste sábado (15), dia em que o espaço completa 131 anos. Não há inscrição prévia nem restrição de idade. Os grupos se formam por ordem de chegada, com até 30 pessoas cada, e o único custo é o ingresso do parque, de R$ 3, com meia-entrada e as gratuidades previstas em lei.

As saídas estão marcadas para 9h30, 10h e 10h30, cada percurso com cerca de 45 minutos. A equipe do Núcleo de Visitas Orientadas ao Parque, ligado ao Serviço de Educação do museu (Nuvop/Seedu), recebe as visitantes logo depois da bilheteria, em frente ao prédio histórico da Rocinha.

A Trilha da Sustentabilidade abre a manhã. O roteiro passa pela seringueira, pela samaumeira, pela paixúba, pelo cacau e pelo açaí, e chega aos recintos do gavião-real (Harpia harpyja), do urubu-rei (Sarcoramphus papa) e das tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa). A conversa puxada pela equipe do Nuvop gira em torno da conservação ambiental e das interações humanas na Amazônia.

Meia hora depois sai a Trilha Histórica, dedicada ao patrimônio construído e à memória científica do lugar. Entram no percurso os bustos em homenagem a cientistas, o recinto antigo de pássaros, os postes de energia elétrica do fim do século 19, os prédios da Rocinha e do Aquário Jacques Huber e o Castelinho, que nunca foi castelo. Erguida em 1901, a construção servia de caixa d’água.

Às 10h30 parte o “Visitão”, roteiro mais amplo e voltado à biodiversidade amazônica. Nele, o público observa características físicas e comportamentais da onça-pintada (Panthera onca), da ariranha (Pteronura brasiliensis), do gavião-real, dos macacos-aranha (Ateles paniscus) e do jacaré (Melanosuchus niger), além de conhecer o papel das vitórias-régias (Victoria amazonica (Poepp) J.E.Sowerby) e das samaumeiras (Ceiba pentandra (L.) Gaertn) no ecossistema.

Segundo Mayara Larrys, chefe do Serviço de Educação do MPEG, os três caminhos contam a mesma história por ângulos diferentes. “As trilhas são formas de conhecer a história do parque, que também é um pouco a história da Amazônia, a partir de lugares diferentes, de percursos distintos”, descreve. “A trilha histórica aborda personagens que foram marcantes na constituição do Museu Goeldi, assim como na constituição das práticas de pesquisa e dos prédios que temos no parque.”

Quem for ao parque no sábado também encontra uma peça que acabou de ser instalada no Aquário Jacques Huber. Trata-se do banco ritualístico do povo Karipuna que representa o Ahetxiê, nome indígena do peixe-serra, chamado ainda de espadarte e presente na costa amazônica com duas espécies. O banco pertencia a um pajé e integra agora a exposição “Ahetxiê: um tesouro da costa amazônica”. Veio da aldeia Santa Isabel, na Terra Indígena Uaçá, em Oiapoque, no Amapá.

Pesquisadora e uma das curadoras da mostra, Manoela Karipuna situa o peixe entre as entidades que orientam seu povo. “O Karuana é uma das entidades que nos guiaram pelo oceano até a embocadura do rio Oiapoque. O peixe Ahetxiê é um Karuana que aparece em vários momentos da nossa história. É como um dos responsáveis por ensinar o primeiro pajé a fazer o ritual do turé. A gente tem muito respeito pelos bancos porque eles são como se fossem as próprias entidades que chegam no ritual para festejar e beber caxiri com a gente”, afirma.

O turé é realizado em agradecimento às curas, e o banco fica no centro do lugar onde acontece o ritual. Aquele que está em Belém participou de dois turés voltados a estudantes. “Os turés dos quais esse banco participou foram específicos da escola da aldeia, justamente para ensinar às crianças e aos adolescentes do ensino infantil, fundamental e médio, a importância do ritual para a comunidade”, conta a curadora. A exposição reúne ainda pinturas em tela com a representação do peixe na arte indígena contemporânea.

O parque ocupa mais de 5 hectares e abriga mais de 1.700 animais entre 3.034 árvores, em plena área urbana da capital parauara. Foi criado em 1895, na gestão do zoólogo Emílio Goeldi, quando a instituição instalou ali sua terceira sede. Antes, o museu havia funcionado no prédio do Liceu Paraense, atual Colégio Estadual Paes de Carvalho, e no imóvel onde hoje está a Academia Paraense de Letras. Em outubro, o MPEG completa 160 anos.

O território cresceu com o tempo até tomar um quarteirão inteiro. O Aquário Jacques Huber é de 1911. O tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) veio em 1993, por razões históricas, arquitetônicas, paisagísticas e científicas. Em 2022, foi inaugurado o Centro de Exposições Eduardo Galvão. Fora do parque, o museu mantém no Pará o Campus de Pesquisa, no bairro da Terra Firme, e a Estação Científica Ferreira Penna, na Floresta Nacional de Caxiuanã.

Serviço:

Aniversário de 131 anos do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi

Data: 15 de agosto de 2026 (sábado)

Trilha da Sustentabilidade, saída às 9h30

Trilha Histórica, saída às 10h

Trilha “Visitão”, saída às 10h30

Duração prevista de cada trilha: cerca de 45 minutos

Ponto de encontro: em frente ao prédio histórico da Rocinha, logo após a bilheteria

Grupos de até 30 pessoas, por ordem de chegada, sem inscrição prévia e sem restrição de idade

Ingresso: R$ 3, com meia-entrada e gratuidades previstas em lei

Funcionamento do parque: de quarta a domingo, das 9h às 16h

Com informações da Agência Museu Goeldi.

Foto em destaque: Woltaire Masaki / MPEG

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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