A Música e o Tempo

Na semana do Dia das Mães estive no programa Café Cultura, da jornalista Michelle Valente, na TV Cultura, com o maestro Jonas Arraes, para entrevista sobre o Recital Cidadão, apresentado pela contralto Gabriella Florenzano e o pianista Humberto Azulay, na Igreja de Santo Alexandre, com o propósito beneficente de incentivar doações para o Projeto Cururu (Belém) e para a Escola de Música Maestro Wilson Fonseca (Santarém), que promovem educação musical para jovens, pois também participei do concerto no acompanhamento, ao piano, na execução da música Lenda do Boto (Wilson Fonseca).
Foi durante aquele Programa de TV que conheci o poeta Edgar Macêdo (Operário das Palavras), que declamou o seu poema Lição de Amor, em homenagens às mães. Na mesma noite, compus uma canção para este belo texto poético. E aí nasceu mais uma parceria musical. Em menos de 15 dias, escrevi, sobre poemas de Edgar, outras quatro músicas: Na pele da raça, essa dor que não passa (samba); Planeta Coração (maxixe); Voz de Índio (sairé); e Declaração de Amor (canção).
Entusiasmado com a nova parceria, o poeta enviou-me mensagens como estas:
“Meu parceiro, você me faz acreditar novamente que existem milagres. Que a generosidade e a sensibilidade humanas, ainda estão nas entrelinhas da vida. Acho que já ouvi a execução da sua música umas trinta, quarenta vezes nesta manhã. Sei o quanto as notas musicais valorizam letras, realçam imaginações, e dão o tom da emoção do poeta. Muitas das vezes como neste caso, até a elevam, em decibéis que embalam nossas almas. Ainda faremos muitos trabalhos juntos, por isso me permiti, resguardadas as proporções de dizer no título que somos, como diria Monteiro Lobato, ‘Raízes da mesma Fábula’.
“A VOZ do nosso ÍNDIO, ecoará bem mais longe. Tradições como a dança do Sairé, a dança do Aruanã, uniram o Xingu e o Tapajós, e esse nosso grito amazônico dramático, poético e lúdico, ainda há de ser executado na Quinta Avenida, em Tóquio… em qualquer lugar deste planeta, onde a sensibilidade humana prevaleça sobre as leis de mercado. Acho que enquanto houver papel, caneta e piano, seguiremos criando ambientes que nos façam lembrar que ainda somos INDIOS, e temos VOZES, cantos lamentos e talentos a serviço da harmonia do planeta. Amém!”
O mês de maio começava e terminava com música. Compus o hino 1º de Maio, em homenagem ao Dia do Trabalho; e a pedido da Drª Maria do Carmo Martins Lima, ex-prefeita de Santarém, a valsa Ana Victória, para os 15 anos de sua filha.
Em junho, o Quarteto Maestoso participa do XXII Festival Internacional de Música (Fundação Carlos Gomes), com músicas do francês Maurice Ravel, do paulista Osvaldo Lacerda, além do meu chorinho Irurá, peça premiada no Concurso Internacional de Composição 2006, promovido pelo Quinteto Amizade, de Brasília.
Em breve, o quarteto fará um concerto com músicas de três gerações da família Fonseca (José Agostinho da Fonseca, Wilson Fonseca e Vicente Fonseca), como ocorreu em janeiro deste ano, no Theatro da Paz, durante o 5º Fórum Mundial de Juízes. Luciana Arraes, primeiro violino do quarteto, é mestranda na University of Massachusetts (USA). Os demais integrantes do quarteto são Hélio Saveney (2º violino), Rodrigo Santana (viola) e Laís Tavares (violoncelo), todos paraenses.
Outro dia me perguntaram: como você consegue conciliar a música com a magistratura e o magistério? Respondi: gosto de tudo que faço. Tempo a gente arruma.

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